Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

dependente químico

Governo tem apenas um centro para atender todos os municípios

4 NOV 2010Por Vânya Santos00h:40

A única unidade de recuperação de dependente químico mantida com recurso do Governo de Mato Grosso do Sul dispõe somente de 20 vagas para atender todos os municípios do Estado. Além da disponibilidade aquém da demanda, a Comunidade Terapêutica Centro Recomeçando, instalada em Campo Grande, na região da saída para Cuiabá, só atende quimiodependentes do sexo masculino e com 18 anos incompletos.

De acordo com a superintendente de Políticas de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), Marina de Sampaio Bragança, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece o número máximo de internos para que o tratamento não seja prejudicado. “A quantidade de vagas está muito aquém da demanda, não dá para atender 50 ou 60 pessoas de uma vez. Tem unidade que atende, mas fere a determinação da Anvisa. Então, nós precisaríamos pensar em criar outras unidades ou apoiar segmentos não governamentais”, sugeriu.

A superintendente explicou que o menor é encaminhado para o tratamento por juízes, promotores ou conselhos tutelares. Ele passa por um processo de triagem, onde é elaborado um relatório psicossocial para que a equipe do centro trace um perfil de atendimento. Normalmente, os adolescentes encaminhados são de baixa renda, pouca escolaridade, têm problema familiar e cometeram atos infracionais em virtude da dependência química.

Exames
O menor precisa apresentar o parecer de um médico psiquiatra ou clínico-geral atestando se ele é ou não um dependente químico. “Ele pode ser um usuário que não criou um vínculo de dependência em seu organismo”, explicou Marina. Caso o jovem seja considerado um dependente, o grau de dependência pode ser classificado em leve, moderado ou severo, sendo que para esta última classificação é recomendada internação hospitalar para desintoxicação.

Além do parecer médico, o jovem tem que apresentar exames de sangue, urina e raios X do pulmão. Marina justificou que muitos meninos têm pneumonia ou doenças venéreas, que podem implicar tratamento diferenciado, mais profissionais e medicamentos específicos. Conforme a superintendente, as famílias que têm mais urgência e condições financeiras pagam os exames em laboratórios particulares. No entanto, ela garantiu que a rede pública de saúde oferece este serviço gratuito e os resultados dos exames demoram em torno de 15 dias.

Tratamento
O processo de recuperação do menor dura em média nove meses, mas este período pode ser estendido por mais três meses de reforço. Marina esclareceu que o jovem pode receber visita de até duas pessoas no último domingo do mês. Toda semana ele tem direito a fazer uma ligação de até cinco minutos e pode receber telefonema a qualquer momento.

No período da manhã, os internos do Recomeçando desenvolvem atividades de campo, como tratamento de animais. À tarde estudam, fazem educação física e terapia em grupo. Concluído o tratamento, a equipe multidisciplinar mantém contato com o jovem, por telefone, durante os próximos seis meses. O índice de abandono do tratamento é de 20%.

O Recomeçando existe desde 1992 e o trabalho começou com atendimento a meninos de rua que usavam cola de sapateiro e praticavam furtos na região central de Campo Grande. Atualmente o prédio passa por reformas.

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