Sexta, 23 de Fevereiro de 2018

VALORIZAÇÃO

Governo guarda quatro armas para conter o real

7 NOV 2010Por Estadão17h:10

O governo possui pelo menos quatro medidas guardadas na gaveta para tentar reverter a valorização do real. As ações possíveis vão desde um incremento na compra de dólares que entram no País, até iniciativas de caráter mais punitivo, como a retomada da cobrança do Imposto de Renda sobre os ganhos dos investidores estrangeiros que aplicam em títulos públicos e uma taxação maior do IOF nos investimentos externos em ações, hoje em 2%, um dos maiores temores do mercado.

O governo prefere guardar a possibilidade de uso deste "arsenal" para depois dos resultados do encontro da próxima semana dos líderes das 20 maiores economias do mundo (G-20), em Seul, na Coreia do Sul. Para a equipe econômica, o quadro atual demanda uma solução articulada, principalmente entre os Estados Unidos e a China, as duas economias que estão por trás da onda de valorização das moedas dos países em desenvolvimento.

A mudança do governo brasileiro também tem relevância dentro deste cenário. Medidas de combate à sobrevalorização do real, adotadas entre novembro e dezembro, terão impacto sobre a administração da presidente eleita Dilma Rousseff.

Força

O uso do Fundo Soberano do Brasil (FSB) na compra de dólares no mercado de câmbio local é uma das medidas guardadas na prateleira do Ministério da Fazenda. Para ampliar o poder de fogo do Fundo, o governo terá que editar uma medida provisória (MP) permitido ao Tesouro emitir títulos para a carteira do FSB. Com isso, o volume de compra de moeda estrangeira pelo Fundo seria praticamente ilimitado, uma vez que tudo dependeria da disponibilidade do Tesouro em emitir novos papéis.

Mas a transformação da medida em realidade só acontecerá se o governo sentir a necessidade de dar uma demonstração de força. Na semana passada, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, deixou claro que o governo não tem pressa em usar esse mecanismo. "Estamos guardando esse instrumento porque essa é uma guerra de médio e longo prazo, que não acaba amanhã."

Outra medida que ainda não saiu da gaveta é a atuação do Banco Central no mercado futuro de dólares. Para isso, o BC poderia retomar a oferta dos chamados contratos de swap cambial reverso, instrumento que funciona como uma espécie de compra de dólar futuro. Esse tipo de contrato não é ofertado pelo BC desde 5 de maio de 2009.

O governo também estuda um mecanismo que pode limitar especulações com a moeda. Boa parte das operações feitas pelas instituições financeiras no mercado futuro, e que indicam uma aposta na valorização do real, tem uma contrapartida de exportadores ou investidores estrangeiros. A ideia seria fechar o espaço para as operações que não contam com esse tipo de contrapartida, conhecidas pelo jargão de "posições a descoberto".
 

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