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Campo Grande - MS, sábado, 17 de novembro de 2018

Governo deverá aceitar inflação maior para manter juros baixos

8 SET 2012Por AGÊNCIA BRASIL17h:00

A redução de juros como forma de manter a economia aquecida encontrou uma barreira. O comportamento da inflação, que voltou a subir em agosto, ainda não chegou a representar uma ameaça. No entanto, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o governo deverá se ver diante do risco de aceitar preços mais altos para evitar que a atividade econômica desacelere. Mesmo com as pressões inflacionárias, os economistas defendem a manutenção da política monetária, que reduziu a Selic, taxa básica de juros, para o menor nível da história. Eles acreditam que a recuperação econômica resultante das medidas de estímulo compensará a alta da inflação. Isso porque o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deverá fechar o ano abaixo de 2011, quando atingiu 6,5% e bateu no teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Em agosto, o IPCA subiu e atingiu 0,41%, acima do 0,37% registrado no mesmo mês de 2011. Nos últimos 12 meses, o índice está em 5,24%, pouco acima dos 5,2% observados nos 12 meses anteriores. O valor está acima das estimativas do mercado. Segundo o último boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgadas pelo Banco Central, o IPCA deverá fechar 2012 em 5,2%. O economista André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV), lembra que as estimativas para o fechamento da inflação este ano já estiveram abaixo de 5%. Ele aposta que o IPCA ficará em torno de 5,5% ao fim de 2012, mas diz que esse nível não ameaça o poder de compra das famílias. “O que não dá para admitir é acima de 6,5%, teto da meta, pois aí os mecanismos começam a se fragilizar e combater o processo inflacionário fica difícil”, declara.

André Braz ressalta que os reajustes salariais têm ficado acima da inflação, o que assegura a manutenção do poder aquisitivo. “Uma referência é o salário mínimo, que tem apresentado aumentos reais, acima da inflação acumulada. No ano passado, subiu 14%, com inflação de 6,5%. Hoje está em R$ 622 e estão querendo aumentar em torno de 8%. A inflação com certeza ficará abaixo disso”, comenta.

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