Quarta, 13 de Dezembro de 2017

Energia

Governo admite risco de racionamento no país

14 FEV 2014Por otempo10h:34

Pela primeira vez, o governo federal mudou o tom em relação aos recorrentes problemas de energia elétrica dos últimos meses e admitiu o risco de desabastecimento – embora diga que ele seja de “baixíssima probabilidade”.

Em extensa nota divulgada ontem pelo Ministério de Minas e Energia, no trecho final, em que o governo assegura a normalidade no fornecimento de eletricidade neste ano, a garantia é condicionada a fatores climáticos e ao consequente comportamento dos reservatórios das hidrelétricas. “Portanto, a não ser que ocorra uma série de vazões pior do que as já registradas, evento de baixíssima probabilidade, não são visualizadas dificuldades no suprimento de energia no país em 2014”, diz o comunicado.

A nota foi divulgada durante reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). O secretário de Energia Elétrica do Ministério, Ildo Grüdtner, limitou-se a ler o comunicado, sem responder às perguntas dos jornalistas. O teor da nota oficial contrasta com as recentes afirmações do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Um dia antes do apagão de 4 de fevereiro, Lobão disse que o risco de desabastecimento era nulo. “Estamos com mais de 40% nos principais reservatórios. Não enxergamos nenhum risco de desabastecimento de energia. Risco zero”, afirmou na ocasião.

O governo confirmou que as chuvas e o volume de água que chega aos reservatórios das hidrelétricas do país foram inferiores ao esperado. Segundo o comitê, em janeiro e na primeira semana de fevereiro, as afluências ficaram em 54% da média histórica nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e de 42% no Nordeste.

Ainda assim, o ministério reiterou que há segurança e equilíbrio estrutural. Segundo o governo, há uma sobra de energia de 9% em relação às projeções feitas para o ano. A carga prevista é de 67 mil MW médios e há uma folga de 6,2 MW mil médios. A sobra considera um risco de 5% de que a oferta de energia seja inferior à demanda, considerando a série histórica das condições climáticas, iniciada em 1931.

De acordo com a nota, o sistema de transmissão de energia possui uma rede de 116 mil km, “o suficiente para o escoamento da energia do país aos centros de consumo”. A nota informou que a malha de transmissão de energia elétrica “opera dentro de padrões de segurança, tanto nas interligações entre regiões, quanto na malha de atendimento regional, mesmo com os recordes na demanda máxima, por elevação das temperaturas”.

Causas do apagão

Até o momento, o CMSE ainda não debateu especificamente o apagão que afetou 13 Estados na semana passada, conforme previsto. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) não concluiu ainda os estudos sobre as causas do apagão. Uma fonte disse que os estudos em andamento não descartam a hipótese de ter sido um raio que atingiu os transformadores que derrubaram duas linhas de transmissão. No próximo dia 17 será feita uma reunião técnica no Operador com os agentes e distribuidoras para analisar o apagão que ocorreu na terça-feira no Espírito Santo.

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