Campo Grande - MS, domingo, 19 de agosto de 2018

COMBUSTÍVEIS

Governo admite mudar política do álcool

7 ABR 2011Por FOLHA15h:10

O ministro Wagner Rossi (Agricultura) admitiu nesta quinta-feira que o governo está preparando um pacote de medidas para regular o etanol. "É verdade que o governo está estudando uma série de medidas. Não foram tomadas medidas ainda, mas certamente nos próximos dias ou semanas haverá mudanças na política do etanol no Brasil", afirmou.

Reportagem publicada na Folha desta quinta-feira informa que a presidente Dilma Rousseff determinou uma série de ações para conter a alta de preços do etanol e evitar desabastecimento do produto.

A reportagem completa está disponível para assinantes do jornal e do UOL.

POLÍTICA PARA O SETOR

Segundo o ministro Rossi disse hoje, a ideia é criar uma nova política para o setor alcooleiro, que incluirá mecanismos oficiais de apoio ao setor produtivo, mas em contrapartida terá que dar garantias de suprimento.

"Não há uma medida isolada, há um conjunto de medidas que estão sendo estudadas e que compõe uma nova política para o setor alcooleiro. O governo está disposto a apoiar o setor para que sejam retomados os investimentos que começaram a se tornar difíceis a partir da crise de 2008. Mas para fazer isso o governo exige garantia de suprimento, uma série de outras circunstâncias que, claro, só se faz por meio da regulação', declarou Rossi.

Wagner Rossi não detalhou quais serão as mudanças, mas disse que é provável que quem faça a regulação do produto seja a ANP (Agência Nacional do Petróleo).

"Havendo a presença da ANP, a forma de regular será mais próxima dos combustíveis já existentes e já regulados. A ideia é que o etanol é um combustível e precisa ter um regulamento próprio dos combustíveis, diferentemente do açúcar, que é um produto agroindustrial", declarou.

Quanto à possibilidade de taxação do açúcar, como forma de estimular a produção do etanol, o ministro disse que isso ainda está em discussão.

Mais cedo, o o presidente da Anfavea (associação das montadoras), Cledorvino Belini, disse que a entidade é "a favor do livre mercado", criticando a decisão do governo de intervir no álcool.

"O empreendedor tem que escolher onde vai colocar os recursos. À medida que se possa interferir, nosso receio é que haja uma inibição dos investimentos na área, principalmente na expansão da produção", afirmou.

QUEDA

Na quarta-feira (6), o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, afirmou que o preço do álcool já deverá cair a partir de maio. Segundo ele, isso deve ocorrer porque a nova safra desse ano, que começou a ser processada em abril, chegará aos postos de combustível.

Já na última quinta-feira, a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) informou que as usinas de açúcar e álcool brasileiras só têm condições de garantir o abastecimento de etanol hidratado --usado nos veículos flex-- de 45% da frota de carros bicombustíveis.

De acordo com a entidade, a oferta de etanol hidratado será cada vez menor caso a produção da cana-de-açúcar não acompanhe o aumento da demanda gerada pelo crescimento da frota de carros flex no Brasil.
 

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