Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

AUDIÊNCIA PÚBLICA

Governador ataca a partidarização da discussão de orçamento da UEMS

9 DEZ 2010Por ADILSON TRINDADE E LIDIANE KOBER00h:00

O Governo do Estado acusa setores da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems) e o PT de tentar partidarizar a discussão em torno do orçamento da instituição de ensino. Hoje, a partir das 13h30min, deputados estaduais e a comunidade acadêmica analisam, em audiência pública, na Assembleia Legislativa, a situação econômica da universidade. Segundo petistas e representantes da Uems, desde o fim da autonomia financeira, a instituição vem sofrendo com a falta de recursos. No entanto, dados do Executivo revelam o aumento do repasse nominal de verba à universidade.

Segundo números da Secretaria de Fazenda, em 2007, ano do primeiro mandato do governador André Puccinelli (PMDB), foram repassados a universidade R$ 48,9 milhões. No ano seguinte, o montante passou para R$ 55,3 milhões e em 2009 a verba aumentou para pouco mais de R$ 62 milhões. "O crescimento real foi acima de 10%. Isso que ainda passamos no meio de uma crise da economia mundial", destacou assessoria do governo.

A queixa, segundo o deputado estadual Pedro Kemp (PT), é que, além do fim da autonomia financeira da Uems por lei estadual em 2008, o repasse está abaixo do estimado no Orçamento do Estado. Em 2008, a previsão era receber R$ 97 milhões. No ano seguinte, R$ 79 milhões. Já para esse ano, o montante estimado foi de R$ 77 milhões e para 2011 é de R$ 79 milhões.

O Executivo, por sua vez, esclarece que de nada vale manter a discussão em cima de valores estimados. "O orçamento é apenas uma previsão, por isso, o debate deve se resumir ao dinheiro arrecadado", explicou a assessoria de imprensa do governo.

Ainda segundo dados do Executivo, o montante repassado na gestão de Puccinelli é bem superior à verba destinada a Uems no governo do petista José Orcírio dos Santos. Em 2003, por exemplo, teriam sido repassados R$ 25,5 milhões à instituição. Um ano depois, a verba passou para pouco mais de R$ 31 milhões. Em 2006, subiu para R$ 38 milhões e um ano depois para R$ 47,2 milhões.

"Estamos abertos para o diálogo com a Assembleia e com a comunidade acadêmica, mas queremos discutir números reais e não uma proposta técnica, por que isso é partidarizar o debate", disse a assessoria do governo.

Segundo representantes da Uems, a falta de recursos deixou em situação precária laboratórios de informática, de línguas, de geografia e bibliotecas. Também seria insuficiente a verba para garantir estrutura aos novos alunos do campus de Campo Grande.

A discussão sobre a proposta orçamentária dividiu os professores da Uems. Os mais antigos defendem o diálogo com o governo para resolver os problemas da universidade enquanto outro grupo prefere o enfrentamento. No mesmo período da audiência pública, hoje na Assembleia Legislativa, o Sindicato dos Professores pretende estar reunido em Glória de Dourados para responsabilizar a atual administração da Uems pela falta de entendimento com o governo e pela situação crítica que passa a instituição.

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