Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

MÚSICA

Gil mostra raízes brasileiras em pacote de DVDs

27 DEZ 2010Por FOLHA ILUSTRADA10h:08

O cantor e compositor Gilberto Gil aponta um denominador comum em pacote de DVDs recém-lançados com filmes dos quais participou entrevistando e/ou cantando: "Uma predisposição surgida na civilização brasileira de inquirir-se de que ela é constituída", declara.

São eles o DVD "Fé na Festa - Ao Vivo", no qual faz sua leitura musical das festas de São João, e os sete filmes da caixa "A Conspiração de Gilberto Gil": "Tempo Rei" (1996); "Pierre Verger: Mensageiro entre Dois Mundos" (1999); "Eu, Tu, Eles" (2000); "Filhos de Gandhy" (2000); "Viva São João!" (2001); "Kaya N'gan Daya" (2002); e "Bandadois" (2009).

Os filmes foram dirigidos por nomes como Andrucha Waddington, Lula Buarque de Hollanda e Breno Silveira.

"Tem negritude, cultura brasileira, elementos da cultura popular emergindo e passando a trabalhar com elementos da chamada alta cultura", diz Gilberto Gil.

"Verger é um exemplo disso. Um fotógrafo de excelência e ao mesmo tempo um pensador do campo da antropologia, que se torna um grande escritor. Um homem que vai trabalhar as questões das heranças africanas no Brasil, sob vários aspectos."

Em "Kaya N'gan Daya" as lentes se voltam para o reggae, manifestação de uma cultura de periferia que emerge para uma cultura de massas do mundo global.

Já "Filhos de Gandhy" trata da associação entre Gandhi e um bloco de Carnaval. "Há aqui uma intersecção política, porque o bloco é criado por estivadores do porto de Salvador filiados ao Partido Comunista", diz Gil.

"Fé na Festa" retrata sua obra musical mais recente, voltada para as festas juninas. "O Carnaval é originariamente egresso do mundo urbano; a festa junina, do mundo interiorano. A diferença de valores era imensa, com o rural sendo secundário."

"Mas essas coisas começam a ser relativizadas a partir de uma fase de complementação modernizadora e passagem para o pós-moderno brasileiro, no qual o urbano está em todo o lugar. Hoje a festa junina se irradia como monumental no interior."

Gil se identifica mais com "Tempo Rei", filmado na comemoração dos 30 anos de carreira. "Ali sou eu inteiro."

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