Quarta, 13 de Dezembro de 2017

Gestora lança fundos que investem no exterior

11 JAN 2014Por FOLHAPRESS11h:30

A gestora de recursos Santander Asset Management lançou, terça-feira, dois fundos multimercados que mesclam investimentos em diversos ativos, como câmbio, ações e renda fixa que destinam até 20% de seus investimentos para a compra de cotas de fundos de ações no exterior. A empresa tem 50% de participação do banco Santander. A outra metade pertence à empresa de private equity (que compra participações acionárias em outras companhias) Warburg Pincus e à companhia de investimentos General Atlantic. Segundo Luciane Ribeiro, diretora da Santander Asset Management, a aposta nesse tipo de produto é motivada pela instabilidade prevista para o mercado brasileiro em 2014. "Há dúvidas se a retirada de estímulos do Federal Reserve (Fed, banco central americano) pode acelerar ou não e também questões internas no Brasil", afirma, citando como exemplo a questão fiscal e o fato de 2014 ser ano eleitoral no país.

A melhor estratégia contra a incerteza com o mercado doméstico é diversificar riscos. O multimercado é um tipo de produto que permite essa diversificação, pois o gestor pode destinar parte dos recursos para renda fixa, ações e até derivativos (contratos que derivam de outros ativos e têm vencimento futuro). Os dois fundos lançados são destinados ao chamado varejo de alta renda, ou seja, focam nos clientes dos segmentos Select (com R$ 10.000 de renda e R$ 30 mil em investimentos ou R$ 200 mil em investimentos) e Van Gogh (R$ 4.000 de renda ou R$ 40 mil em investimentos). Ambos possuem aplicação inicial de R$ 10.000 e taxa de performance de 20%, cobrada sobre a parcela da rentabilidade do produto que superar a variação de um determinado índice de desempenho.

O que difere os dois produtos é a taxa de administração cobrada e as características de investimento de cada um deles. O FI Global Multimercado, por exemplo, é destinado segmento Select e poderá ter em sua carteira até 20% de cotas de fundos de ações de regiões como Estados Unidos, Europa, Ásia e países emergentes. A taxa de administração é de 1,8% ao ano. Já o FI Diversificação Global Van Gogh Multimercado destina até 15% para a compra de cotas de fundos de ações de regiões como Estados Unidos, Europa, Ásia e países emergentes. A taxa de administração cobrada é de 2%. Ribeiro acredita que já no primeiro trimestre cada um desses fundos poderá captar até R$ 300 milhões. A Santander Asset Management encerrou o ano de 2013 com R$ 125 bilhões de recursos sob gestão.

Investimentos

Além dos multimercados, a diretora da Santander Asset Management e Ricardo Denadai, economista-chefe da gestora, recomendam ao pequeno investidor manter parte dos recursos em fundos DI, especialmente os que possuem em sua carteira crédito privado de boas empresas. "A remuneração é maior por causa do risco de crédito da empresa", afirma Ribeiro.
Os fundos com gestão ativa ou seja, aqueles em que o gestor muda a aplicação de recursos de acordo com o desempenho do mercado também são uma escolha interessante para este ano. "Eles dão mais flexibilidade e os gestores podem se adequar melhor à volatilidade do mercado", afirma Denadai.

A própria diversificação de ativos no exterior é uma estratégia baseada no entendimento de que as Bolsas de EUA e Europa têm melhores perspectivas do que o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira. "Por isso, fundos menos indexados (ou seja, que não são atrelados a algum índice) são melhores que os indexados este ano", ressalta o economista-chefe da gestora. "O cenário macro justifica o pessimismo com o Ibovespa. Mas achamos que o espaço para novas decepções é menor", completa.
 

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