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MUNDO

Gbagbo se rendeu e pediu proteção da ONU na Costa do Marfim, diz agência

5 ABR 2011Por FOLHA ONLINE14h:48

O líder da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, assinou um documento escrito oficializando sua rendição e pedindo proteção da ONU (Organização das Nações Unidas), informou a agência de notícias Reuters.

A notícia chega momentos após a França e a ONU pressionarem Gbagbo a assinar um documento de renúncia ao presidente eleito do país, Alassane Ouattara, como condição para sua saída.

"Nós exigimos [...] que a saída de Gbagbo seja precedida pela publicação de um documento com sua assinatura no qual renuncia ao poder e reconhece Ouattara como presidente", disse o ministro de Relações Exteriores da França, Alain Juppé, que disse estar de acordo com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Ouattara foi o vencedor das eleições de novembro do ano passado, reconhecido pela comunidade internacional. Gbagbo, que já estava no poder, se recusou a renunciar e apelou ao Conselho Eleitoral por uma recontagem de votos, que favoreceu sua campanha.

Desde então, forças dos dois lados se enfrentaram em confrontos que deixaram centenas de mortos e ameaçaram levar o país de volta à guerra civil de 2002 e 2003.

Nos últimos dois dias, as forças de Ouattara lançaram uma "ofensiva final" contra Gbagbo em Abdijã, com apoio de ataques de helicópteros da ONU e da França.
Eles cercaram a residência oficial do presidente, que estaria escondido em um bunker, no porão de sua casa, com sua família e alguns aliados.

Juppé confirmou ainda que os confrontos na Costa do Marfim foram interrompidos e que as negociações para a saída de Gbagbo estão em andamento.

Um porta-voz de Gbagbo confirmou que ele estava negociando os termos de sua saída com base no reconhecimento de Ouattara como presidente. Segundo o porta-voz, as negociações incluem garantias de segurança a Gbagbo e seus familiares.

Mais cedo, o representante especial da ONU na Costa do Marfim, Y. P. Choi, disse ao canal árabe Al Jazeera que "a guerra acabou" e Gbagbo já se rendeu. "Ele está no porão [de sua casa em Abdijã] e está pronto para se entregar", disse Choi.

Já o premiê francês, François Fillon, disse que dois generais da Costa do Marfim estavam negociando a renúncia de Gbagbo. "Neste exato momento, estamos conversando com dois generais para negociar a renúncia do presidente Gbagbo", disse Fillon a membros do Parlamento em Paris.

As forças de Gbagbo pediram anteriormente um cessar-fogo, e o ministro da Defesa francês, Gerard Longuet, disse que a crise no país seria resolvida em uma questão de horas.

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