terça, 17 de julho de 2018

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Game Show Campo Grande une crianças e adultos na Capital

17 JAN 2011Por Thiago Andrade15h:15

1977. Este foi o ano em que apareceram os primeiros sintomas brasileiros de uma febre que, em breve, dominaria o mundo. Quase 35 anos depois do lançamento do Telejogo Philco Ford, o primeiro videogame para o mercado brasileiro, a tecnologia evoluiu de maneira tão grande, que hoje basta se movimentar em frente à tela para que o personagem no jogo seja controlado. Até 30 de janeiro, os aficcionados e nostálgicos dos games podem conferir, na praça central do Shopping Campo Grande, das 10h às 22h, a exposição “Campo Grande game show”. Nela, além de relembrar alguns consoles clássicos, o público poderá conferir o que existe de mais inovador na tecnologia do entretenimento.

Não são apenas as crianças que ficam deslumbradas com os máquinas capazes de criar imagens e personagens controláveis. Os mais velhos também olham as vitrines com bastante carinho, lembrando do tempo em que passaram em frente às telinhas, jogando clássicos do Atari 2600, um dos consoles mais populares na década de 1980, como Pacman, Pitfall e outros. “Joguei muito durante a infância. Até hoje, quando bate a saudade, eu jogo no computador alguns clássicos do Atari. Era divertido e lúdico”, aponta a professora do Ensino Fundamental Ana Grellmann, de 33 anos, que visitava a exposição com a filha de cinco anos.

Aproveitando o sábado para passear, Ana deparou-se com a exposição e resolveu mostrar para a filha a evolução dos games até o Playstation, que têm em casa. “A gente percebe bem como a tecnologia se tornou cada vez mais complexa e como os jogos mudaram. Hoje, não precisa mais nem de controle”, descreve Ana. Entretanto, segundo a mãe, a evolução em relação aos gráficos e à tecnologia trouxe um ponto negativo: “Estou vendo muita violência nos jogos atuais, é difícil escolher. Eu sou bem rígida quanto ao que entra em casa e ao que eu deixo ela jogar”, explica, referindo-se a Johannes.

A menina de cinco anos mantinha os olhos fixos aos consoles, que evoluíram de máquinas grandes e pesadas para pequenos dispositivos que cabem na palma da mão. “Tudo ficou pequeno e fácil de jogar”, explica, timidamente. Além de ver os inúmeros consoles nas prateleiras, mãe e filha também decidiram experimentar as máquinas. Johannes escolheu o estande com um Nintendo Wii, do qual experimentou um jogo de dança, acompanhado de controle sensível a movimentos.

Saudoso, o empresário Ricardo de Moraes foi com a família ao shopping e pode rever o console Atari 2600, que marcou sua infância. “É uma exposição curiosa. Lá em casa temos um Wii para minha filha, mas ele não tem nada a ver com os jogos da minha época, em que tudo que era necessário para jogar era controle com uma manivela e um botão vermelho”, aponta. Ele conta que, no momento, está atrás de uma máquina de fliperama que também fez sua diversão durante a infância.

Em outro estande, no qual quem quisesse poderia ser aventurar nos comandos do Kinect – acessório para o Xbox 360 que reconhece os movimentos do corpo sem nenhum controle – Judite Moraes, professora em Coxim, assistia ao filho Gabriel se divertir enquanto controlava um veículo no jogo de corrida. Para ela, esses novos equipamentos possibilitam o fim do mito de que crianças que gostam de videogames são sedentárias. Mito, pois segundo ela, em casa, o filho sabe controlar muito bem as horas em frente à tela e o tempo para outras atividades.

“É muito legal, a gente não precisa ficar parado, só mexendo nos controles. O controle é meu próprio corpo. Fica muito mais divertido desse jeito”, elogia Gabriel, que já avisou a mãe que quer um console igual. O menino de sete anos já deixou claro que não quer mais saber do videogame que tem em casa. “É interessante essa possibilidade de jogar com o corpo, mas o preço com que as máquinas chegam ao Brasil é absurdo”, critica Judite.
Como não há produção de videogames no País, o preço dos consoles é inflacionado em razão dos impostos cobrados sobre as empresas. De acordo com o jornalista Cleidson Lima, curador da exposição e editor do suplemento de informática do Correio do Estado, um dos motivos pelos quais os games não são vistos como meios de entretenimento para a família é o valor elevado dos equipamentos.

Um bom vício

Fã de videogames, Cleidson é dono de uma coleção de consoles que inclui desde o clássico Magnavox Odyssey, o primeiro lançado no mundo, em 1972, ao Xbox 360 e seu último acessório, o Kinect. Conhecedor da história dos games, ele conta que os equipamentos passaram por transformações, tanto tecnológicas, quanto funcionais. “O videogame voltou a ser um entretenimento familiar, que reúne pais e filhos para se divertir. Esses novos consoles que permitem o uso do corpo fazem com que todos fiquem curiosos e queiram aproveitar a brincadeira”, aponta.

Mas, o futuro dos jogos tradicionais, que precisam de controles comuns, segundo Cleidson, não é apocalíptico. “Jogos de RPG, ação e tiro vão continuar utilizando os tradicionais joysticks. Esses jogos são voltados para um outro tipo de público, mais exigente em termos de história e envolvimento com o game”, defende Cleidson. Para o futuro, o jornalista acredita que as pesquisas em relação ao uso do corpo como acessório para os jogos se desenvolverá ainda mais. “Sei de trabalhos sobre uso de hologramas, que ainda não foram disponibilizados no mercado em razão dos custos. Logo, logo, em um jogo de luta, você vai brigar com um personagem digital no meio da sua sala”, aposta. (TA)

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