quinta, 19 de julho de 2018

CORUMBÁ

Gado pantaneiro vai ter genética melhor

5 OUT 2010Por Sílvio Andrade17h:33

Com o maior rebanho bovino do País – são 1,9 milhão de cabeças –, o Pantanal de Corumbá terá um projeto-piloto de transferência de embriões com o apoio da ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu), Embrapa Pantanal e Embrapa Gado de Corte. A parceria visa a melhoria genética dos animais criados a campo. Estima-se que o número de matrizes na planície chega a 1 milhão.
O mercado não tem disponibilidade de touros para atender a demanda do Pantanal, segundo o presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Raphael Domingos Kassar. O objetivo do projeto-piloto é gerar a produção local de reprodutores com genética comprovada, mantendo o padrão do rebanho e aumentando a produção de bezerros, cujo índice é um fator limitante à pecuária pantaneira.
A adoção de tecnologias no Pantanal ficou defasada devido ao isolamento da região, com deficiências em comunicação e transporte, além de limitações impostas pelas condições naturais (solos pobres e inundações). Os índices zootécnicos têm sido baixos com relação a natalidade (55%), desmama (45%), intervalo entre partos (22 meses) e idade à primeira cria (3,5 a 4 anos), segundo a Embrapa Pantanal.
A alternativa competitiva poderá ser a especialização na fase de cria com adequado manejo nutricional, reprodutivo e sanitário, e gerenciamento eficiente, uma vez que as propriedades com baixos índices zootécnicos tendem a ser cada vez menos sustentáveis economicamente. Os produtores apontam ainda a falta de um programa de fomento à pecuária extensiva, como crédito especial para um ecossistema especial.

Falta apoio
A globalização da economia obriga a pecuária pantaneira a tornar-se uma atividade empresarial, indicando que só sobreviverão os sistemas produtivos eficientes no uso dos recursos e capazes de ofertar produtos de qualidade, observa o estudo da Embrapa Pantanal. O setor, no entanto, cobra do Governo um tratamento diferenciado para a planície, onde a pecuária contribui para a conservação do bioma.
“Continuamos sem energia, comunicação, estradas. O governo só tem nos penalizado”, diz o presidente do sindicato rural. “Temos dificuldades na gestão e estamos perdendo competitividade”, acrescenta Kassar, lembrando que a Associação dos Criadores de Nelore de MS também se alia ao sindicato para oferecer reprodutores puros para melhorar a qualidade dos bezerros, por meio de leilões.
A implantação da técnica de biotecnologia da reprodução animal com determinação do sexo foi discutida durante palestra proferida pelo superintendente-adjunto de Registro Genético da ABCZ, Luiz Antônio Josalikin, no auditório do sindicato rural. Ele falou sobre a evolução genética à eficiência global atual, o sistema de produção de zebuínos e o papel da ABCZ.

Ganhos produtivos
Na oportunidade, também proferiram palestras aos pecuaristas pantaneiros os pesquisadores Luiz Antônio Campos da Silva e Antônio Nascimento Rosa, ambos da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande), abordando o melhoramento genético do gado zebuíno no Brasil. Participou do evento o pesquisador em produção animal da Embrapa Pantanal, Urbano Gomes Pinto de Abreu, diretor do sindicato.
A primeira visita do representante da ABCZ a Corumbá e ao Pantanal, segundo Urbano Gomes, permitiu uma troca de informações com os produtores e com a diretoria do sindicato. Uma das finalidades da reunião foi discutir alternativas para que essa genética zebuína chegue mais rápida e com eficiência à planície, sendo a transferência de embriões uma das possibilidades.
“Com essa parceria, buscamos ganhos produtivos a nossa pecuária, onde também se insere uma melhor condição de manejo”, explica Urbano Gomes. O diretor da ABCZ falou aos pecuaristas, durante a palestra, que a entidade hoje desenvolve um programa de sucesso, que é o Pró-Genética: a venda de touros de alta qualidade com financiamento a taxas de juros abaixo do mercado.

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