Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

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G-20 se reúne a partir de quinta sob a ameaça de guerra cambial

7 NOV 2010Por AGÊNCIA ESTADO, PEQUIM03h:45

Depois de realizar quatro encontros marcados pela linguagem da cooperação no enfrentamento da crise financeira global, os líderes dos países do G-20 se reúnem na próxima semana (dias 11 e 12) na Coreia do Sul sob a ameaça de uma guerra cambial que pode ter efeitos devastadores sobre o comércio mundial.
O cenário no qual presidentes e primeiros-ministros das maiores economias do mundo se encontrarão ficou mais incerto com o anúncio dos Estados Unidos de que injetarão US$ 600 bilhões na economia até meados de 2011 aliado à tendência de agravamento dos desequilíbrios globais que estiveram na origem da crise iniciada em 2008.
O fraco crescimento dos países ricos completa o quadro que pode desencadear a erosão do consenso dentro do G-20. “Há risco de o espírito de cooperação global desaparecer ou enfraquecer e dar lugar a uma atitude de cada um por si”, disse em Pequim na semana passada o economista Don Brean, professor da Universidade de Toronto e diretor do G-20 Research Group, com sede no Canadá.
O “salve-se quem puder” é a principal característica da guerra cambial, na qual cada país atua individualmente para promover a depreciação ou evitar a apreciação de sua moeda, com o objetivo de estimular suas exportações e, por tabela, seu crescimento. Na avaliação de Brean, as chamadas desvalorizações competitivas são apenas uma prévia da adoção de medidas protecionistas e retaliações que podem afetar o comércio global.

Ceticismo
Michael Pettis, professor de Finanças Internacionais da Universidade de Pequim, é cético quanto à possibilidade de um acordo no âmbito do G-20 que afaste a ameaça de uma guerra cambial. Desde a eclosão da crise atual, em 2008, Pettis sustenta que uma das maiores ameaças à recuperação global é uma guerra comercial semelhante à que o mundo experimentou no período de 1929 a 1934, quando o comércio mundial encolheu 70% em razão de barreiras impostas pelas nações.
A origem do problema atual é que todos os países querem crescer com o aumento de suas exportações e a conta não fecha, já que alguém tem que comprar. A situação foi agravada pela política monetária expansionista dos Estados Unidos, que vai provocar a desvalorização do dólar e a valorização de grande parte das demais moedas - ou pelo menos as dos países que têm câmbio flutuante.
“O aumento da quantidade de dólares na economia vai levar à desvalorização do dólar em relação a todas as outras moedas e provocar incerteza e volatilidade no mercado global de câmbio”, observou Brean.
Em tese, a China deveria espelhar a desvalorização do dólar com a valorização de sua moeda, já que é o país que lidera o grupo de nações que possuem superávit em conta corrente, em contraposição aos deficitários norte-americanos.

Mão de ferro
Mas como o câmbio chinês é controlado com mão de ferro pelo governo e outros países asiáticos intervêm para conter a alta de suas moedas, o peso do ajuste pela desvalorização do dólar recai nas demais nações, entre as quais o Brasil, que luta para evitar a elevação no valor do real.
Segundo Pettis, a única maneira de os outros países ampliarem suas fatias no bolo de exportações é o aumento do já enorme déficit comercial norte-americano, o que Washington não permitirá. “O mundo todo está tentando crescer por meio das exportações para os Estados Unidos e o governo fará alguma coisa, como elevar tarifas e aumentar o protecionismo.”
Em sua avaliação, a responsabilidade pela tensão atual não é apenas dos Estados Unidos, mas também dos países superavitários, como China, Japão e Alemanha. A única solução possível para evitar a degradação do cenário mundial é uma ação coordenada que ataque a origem dos desequilíbrios globais, marcados pelo excesso de consumo nos Estados Unidos e de poupança na China.

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