quarta, 18 de julho de 2018

Briga judicial

Fundador do Wikileaks apresenta recurso contra extradição para Suécia

4 MAR 2011Por AFP02h:30

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, apelou perante a Alta Corte de Londres da sentença emitida na semana passada por um juiz britânico, que decidiu extraditá-lo para a Suécia, onde enfrenta quatro acusações de agressão sexual, anunciou nesta quinta-feira uma fonte judicial.

Um funcionário da Corte confirmou que os advogados, que tinham até esta quinta-feira para recorrer da decisão, apresentaram os documentos necessários, mas indicou que ainda não foi definida uma data para examinar a apelação.

O juiz de primeira instância Howard Riddle autorizou em 24 de fevereiro a extradição do australiano de 39 anos para a Suécia, que emitiu uma ordem de captura contra ele depois que duas mulheres o denunciaram por violação e abuso sexual.

Assange, contra quem ainda não foram apresentadas as acusações formais, nega ter cometido os delitos sexuais, embora admita ter mantido relações consentidas com as duas mulheres durante uma estadia em Estocolmo em agosto passado.

O ex-hacker afirma que as acusações têm fundamento político, derivado da divulgação de milhares de documentos oficiais da diplomacia americana e sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão pelo site WikiLeaks.

A apelação não é uma surpresa, pois os advogados de Assange já haviam anunciado sua intenção de esgotar todos os recursos para evitar a extradição de seu cliente, o que pode esticar o processo por vários meses até que chegue à Suprema Corte britânica, ou até à Corte Europeia de Direitos Humanos.

Seus defensores alegam que Julian Assange não seria submetido a um julgamento justo, devido à espiral de publicidade negativa que cerca o caso. Além disso, afirmam existir o "risco real" de que, uma vez na Suécia, o criador do WikiLeaks seja enviado para os Estados Unidos, onde poderia até ser condenado à morte ou enviado para Guantánamo.

O governo americano, que sempre fez questão de não se associar ao processo - que diz ser um "caso entre o Reino Unido e a Suécia" -, estuda há meses uma maneira de acusar Assange formalmente por espionagem, mas ainda não apresentou qualquer acusação formal contra o australiano.

Mas, na quarta-feira, a procuradoria militar dos Estados Unidos apresentou 22 acusações contra Bradley Manning, soldado americano sobre quem recai a suspeita de ter fornecido os milhares de documentos secretos ao WikiLeaks. A mais grave das ações o acusa de "ajudar o inimigo".

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