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AVANÇO

Frota de motocicletas registrou em 10 anos, aumento de 216% na Capital

6 ABR 11 - 13h:30Bruna Lucianer

Se você anda pelas ruas de Campo Grande, certamente percebeu a explosão motociclística dos últimos anos. Em 10 anos, a frota de motocicletas da Capital cresceu espantosos 216%, muito acima do já elevado crescimento da frota automobilística, que fechou a década em 69%. Isso dá uma média de 17 motos desembarcadas nas ruas de Campo Grande, diariamente, de 2001 a 2010.
Os dados são do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/MS) e revelam mais do que uma simples preferência dos condutores; revelam o novo perfil do trânsito na capital sul-mato-grossense, que implica mudanças de comportamento por parte das autoridades e da população. Das autoridades por que a mobilidade conferida aos veículos motorizados sobre duas rodas convida à imprudência, e da população por que não basta se preocupar com o que está à vista: a qualquer momento uma motocicleta pode surgir “costurando” entre os carros e causar uma desgraça.
Estão aí os números da Companhia Independente de Policiamento de Trânsito (Ciptran) para confirmar: das 56 mortes ocorridas no trânsito de Campo Grande durante 2010, 32 foram de motociclistas. Ainda segundo a Ciptran, cerca de 70% dos 8,5 mil acidentes registrados durante o ano passado foram causados por condutores de motocicletas.
Que o digam Zenir Gomes de Oliveira, de 65 anos, que quase foi atropelada por duas motocicletas em menos de três meses, e Luiz Carlos Miranda Corrêa, que há 45 dias perdeu a filha de 21 anos em um acidente envolvendo carro e moto. “Moto é a arma que matou a minha filha”, desabafa Luiz.
Mas não é só o aumento no número de acidentes com morte que caracteriza esse boom motociclístico. De acordo com Rudel Trindade Júnior, diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), o novo perfil do trânsito campo-grandense engloba questões econômicas, com a diminuição do número de usuários pagantes do transporte coletivo; sociais, com a necessidade de os demais condutores redobrarem a atenção ao locomover-se; e até ambientais, pois motocicletas emitem quatro vezes mais gases poluentes do que os carros de passeio. “Há estudos que mostram que motocicletas são 28 vezes menos seguras do que carros. Junte a isso a quantidade absurda de motociclistas sem habilidade e chegamos a esse resultado de acidentes e mortes”, ilustra.
Mas há quem não tema, prefira e incentive o meio de transporte. É o caso do mototaxista Lúcio Flávio Mendes dos Santos, de 23 anos de idade, cinco deles pilotando motos. Desde que atingiu a maioridade, Lúcio trabalha sobre duas rodas transportando cargas ou passageiros. “Nunca me acidentei, mas o crescimento do número de motos e de acidentes envolvendo motociclistas nas ruas de Campo Grande é muito claro”, relata. Lúcio é o retrato da estatística e da facilidade em adquirir os veículos: mora com os pais e uma irmã, uma moto para cada morador da casa.

Facilidades
Hoje, você pode entrar em uma concessionária sem um real no bolso e sair pilotando uma moto. Há modelos que custam pouco mais de R$ 4 mil e que podem ser retiradas da loja sem entrada, com parcelas para os próximos quatro anos, desde que você não tenha restrições de crédito. Você também já pode sair com o veículo documentado e com um capacete novinho em folha na cabeça.
Os bancos têm parceria com as concessionárias, e oferecem uma taxa de juros mais baixa, que varia de 2,4 a 2,87% ao mês, dependendo do banco e da revendedora. Para quem está com o nome sujo, a opção é o consórcio. “A lista de facilidades é imensa. Para cada perfil de cliente, temos uma opção de crédito”, resume Raquel Fernandes, supervisora de vendas de uma concessionária.

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