quarta, 18 de julho de 2018

CRISE NO MERCADO DA CARNE

Frigoríficos reduzem prazo de venda a supermercados

23 OUT 2010Por Carlos Henrique Braga03h:00

 

Diante da dificuldade em pagar pelo boi, que já tem arroba negociada a R$ 100 no interior do Estado, frigoríficos decidiram baixar prazos de pagamento na venda a supermercados para aumentar o fluxo de caixa. As empresas terão no máximo 7 dias para pagar pelos animais, e não entre 15 e 28 dias, como era de praxe. A decisão foi tomada em reunião da Associação de Matadouros, Frigoríficos e Distribuidores de Carne de MS (Assocarnes), ontem, em Campo Grande. 
 
Os 24 associados respondem por 60% da produção de carne e abastecem todas as cidades do Estado, segundo o presidente da entidade, João Alberto Dias. Nos últimos meses, a escassez de animais prontos para abate enxugou a produção em 30%, em média, e em até 40% na região do Bolsão, onde está Três Lagoas. A menor oferta elevou custos. “Todos vimos que isso é necessário diante dessa alta galopante da arroba e da escassez de animais”, justifica Dias. Na comparação com outubro de 2009, a arroba subiu 30,96% (de R$ 71,78 para R$ 94, em média)
 
Ele espera que supermercados e hipermercados se adaptem à nova realidade, assim como os frigoríficos fizeram quando pecuaristas decidiram extinguir a venda a prazo, no ano passado. Se isso não ocorrer, poderá faltar produto no varejo. “Se eles não se adequarem, não vão comprar”, avisa o presidente da associação.
 
A alternativa para reforçar o caixa é um atentado às “leis de livre mercado e negociação”, de acordo com o presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados (Amas), Acelino de Souza Cristaldo. Como resposta, os varejistas poderão escolher fornecedores que oferecerem prazos mais longos. “A negociação é livre: o fornecedor coloca as condições e elas são negociadas; se acharmos alguém que venda com prazo maior, vamos comprar dele”, anuncia Cristaldo.
 
Ele discorda da afirmação recorrente de que supermercados têm o maior lucro da cadeia da carne.

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