Segunda, 19 de Fevereiro de 2018

MERCADO DA CARNE

Frigoríficos demitiram 5,4 mil em 2 anos

20 SET 2010Por 19h:45

Carlos Henrique Braga

Frigoríficos de Mato Grosso do Sul demitiram cerca de 5,4 mil pessoas desde o agravamento da crise do setor, em 2008, com a redução das exportações de carnes. Representantes da cadeia produtiva apontam descapitalização, falta de crédito e má gestão como responsáveis pelo fechamento de 14 unidades frigoríficas no Estado nos últimos dois anos. A atual entressafra, mais severa por conta da estiagem prolongada, reduziu ainda mais a oferta de bois e piorou a situação das empresas.
Até a gigante JBS, em Campo Grande, foi obrigada a demitir 180 empregados para diminuir a ociosidade nas linhas de produção. Em cidades onde o frigorífico é o principal empregador a situação é mais grave. Em Eldorado, os 300 demitidos do Fribrasil, no início do ano, tinham como opção apenas o trabalho na carvoaria local, segundo o presidente a Federação dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação, Wilson Gimenes.
Para os principais elos da cadeia, compradores e fornecedores, falta dinheiro para manter abates e empregos. “As empresas não têm lastro para captar recursos e o governo não revê as regras tributárias. Se isso não mudar, vamos ter um colapso no mercado nos próximos anos, com mais demissões, e isso é ruim para todo mundo”, adverte o presidente da Associação de Matadouros e Frigoríficos (Assocarnes), João Alberto Dias.
A campanha dos produtores para receber à vista, iniciada no ano passado, pesou ainda mais sobre o setor, segundo Dias. “Ninguém recebe mais a prazo, só que os frigoríficos levam 20 dias para ter lucro sobre a venda da carne e ainda têm que pagar à vista também os impostos do Governo do Estado”, conta. Em poucos anos, o setor deve passar por enxugamento no País. “Os raquíticos vão sair do mercado”, alerta o presidente.
A economista da Federação da Agricultura e Pecuária (Famasul), Adriana Mascarenhas, acredita na consolidação do monopólio das grandes empresas. “Vão ficar os maiores no mercado, e quando isso acontecer eles vão ditar o preço. Isso é preocupante”, diz.
Com a alta de 30,7% na arroba neste ano (de R$ 65 para R$ 85), pecuaristas recuperaram ganhos. Analistas dizem que a arroba pode chegar a R$ 90 até o final do ano, mas não apostam em aumento para R$ 100. “O consumidor não absorveria mais o preço e migraria para carnes mais baratas”, afirma Adriana.

Leia Também