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Frete e imposto comprimem preço da soja

1 FEV 10 - 06h:44MAURÍCIO HUGO
As empresas cerealistas estão pagando pela soja entregue neste mês de fevereiro R$ 29 a saca no município de Chapadão do Sul e região. Preço muito baixo, na opinião dos sojicultores sul-mato-grossenses. Dois fatores principais estariam comprimindo o preço da oleaginosa tanto para o mercado interno como para a exportação: a elevação do custo dos fretes e a carga fiscal de Mato Grosso do Sul. Nas últimas semanas, por conta da pressão de busca pela soja, a tonelada transportada de Chapadão do Sul para o porto de Paranaguá custava R$ 88. Agora a mesma tonelada está custando R$ 100. Isso representa pelo menos R$ 6 a mais por saca de soja transportada. O preço da saca de soja no porto, que hoje varia de R$ 38 a R$ 40, é fechado em Chapadão do Sul por R$ 32 a R$ 34. Para mandar a soja da região de Chapadão para o consumidor em São Paulo, além do frete, pesa também a pauta fiscal para o mercado interno, cujo valor era considerado fora da realidade pelos produtores. A boa notícia na sexta-feira era de que o Governo do Estado iria anunciar a redução da pauta fiscal do ICMS sobre a soja. “Confirmando-se isso, a situação pode melhorar bastante no sentido de se recuperar um pouco o preço da commodity que está a cada dia pior, inclusive no mercado internacional”, afirmou umprodutor da região nordeste do Estado. Enquanto os negócios são feitos, na média, a R$ 33 a saca, o Governo estadual fixou a pauta fiscal em R$ 52,80. Isso deve mudar, caso se confirme a decisão do Governo de reduzir a pauta fiscal. Para se explicitar a ganância fiscal que vinha sendo praticada em Mato Grosso do Sul, basta verificar a pauta do vizinho Estado de Goiás, entre R$ 40 e R$ 42, bem abaixo dos R$ 52,80 praticados em MS. Além desses fatores internos, o preço da soja em Chicago, com o início da safra no Brasil, caiu em um mês US$ 1,20 por bushell e o dólar desvalorizado não tem ajudado em nada na melhoria das cotações. As primeiras notícias de estados como Mato Grosso, que começam a colheita mais cedo, confirmam a perspectiva de superssafra. A soja precoce, colhida com duas aplicações de fungicida contra a ferrugem, está rendendo entre 58 e 60 sacas por hectare, um ótimo desempenho para o MT. Em Chapadão do Sul (MS), Costa Rica (MS) e Chapadão do Céu (GO) ainda não se tem dados sobre a colheita que começou em poucos talhões, mas a expectativa é de produção acima de 55 sacas por hectare. Em Mato Grosso, entretanto, há um fator positivo. Os produtores se preveniram e pelo menos 50% da soja foi fixada a preço futuro, quando as cotações estavam favoráveis e havia prêmios para o exportador no Porto de Paranaguá. De um modo geral, somente 30% da produção brasileira de soja teve preços travados no mercado futuro. Agora, na boca da safra, não há que se esperar melhoria nos preços, já que se confirmam os bons resultados estimados para a produção mundial, apesar dos estoques reduzidos em todo o mundo.
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