Campo Grande - MS, sexta, 17 de agosto de 2018

Franceses poderão ter dúvidas sobre identificação de corpos do voo 447

6 MAI 2011Por r701h:42

Os investigadores franceses vão tentar resgatar todos os corpos das vítimas do voo AF 447 da Air France que caiu no oceano Atlântico há quase dois anos, indo do Rio de Janeiro para Paris. O que não se sabe ainda é se será possível identificá-los, disse o coronel François Daust, diretor do Instituto de Pesquisas Criminais da Polícia Militar francesa à BBC Brasil.

Segundo ele, podem existir dificuldades técnicas para extrair o material genético dos ossos das vítimas do voo, que matou 228 pessoas.

- Os corpos estão há quase dois anos submersos a 3,9 mil metros de profundidade. Faremos testes para tentar extrair o DNA dos ossos, mas não sabemos se isso será possível e quais resultados vamos obter.

O coronel diz que é preferível manter prudência em relação à identificação das vítimas porque existem muitos elementos desconhecidos.

Nesta quinta-feira (5), a polícia militar francesa anunciou o resgate do primeiro corpo içado dos destroços do avião, que estava preso no assento da aeronave.

O comunicado da polícia militar francesa informa ainda que foi realizada uma coleta de material dos restos mortais dessa vítima "para determinar a possibilidade de uma identificação por meio de testes de DNA", diz o texto.

Essa coleta será enviada a um laboratório francês na próxima semana para exames de DNA.

Olho nu

De acordo com Daust, é impossível saber a olho nu se o corpo seria de um homem ou mulher, em razão do estado de decomposição.

Apenas análises posteriores mais detalhadas dos ossos poderão definir essas características, segundo o diretor do Instituto de Pesquisas Criminais.

Quatro especialistas deste instituto - entre eles, um médico legista e um especialista em dentição - estão a bordo do navio Île de Sein, que realiza a quinta fase de buscas dos destroços e corpos do avião.

Daust afirma também que as operações para trazer à superfície os cadáveres que forem achados devem durar cerca de um mês.

Ele garantiu que a equipe de resgate não vai desistir de recuperá-los, já que, após uma primeira tentativa infrutífera, como diz o comunicado da polícia militar, a segunda tentativa de içar um corpo foi bem sucedida.

- A partir do momento que conseguimos ter sucesso em uma operação, vamos continuar tentando resgatar todos os corpos encontrados, mas isso não quer dizer, no entanto, que vamos conseguir em cada uma das vezes. É muito difícil içar um corpo a quase 4 mil metros de profundidade em estado de decomposição', diz Daust.

Segundo ele, os corpos podem não resistir às manipulações do robô Remora 6000 ou às mudanças de temperatura da água durante o içamento até o navio.

Antes deste primeiro resgate, apenas 50 corpos de vítimas do voo AF 447 haviam sido encontrados, logo após a catástrofe - sendo 20 deles, brasileiros.

O coronel afirma ainda que, neste momento, as operações de busca tentam resgatar outras peças do avião consideradas importantes para as investigações sobre as causas do acidente.

Leia Também