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Fortificações de MS serão tombadas

16 JUL 10 - 07h:49
Sílvio Andrade, Corumbá

Fortificações construídas após a Guerra do Paraguai (1864-1870) – conflito que expôs a fragilidade do controle bélico nesta fronteira cobiçada pelos espanhóis – o arsenal da Marinha, em Ladário, e o Forte Junqueira, em Corumbá, serão tombados pelo Patrimônio Histórico Nacional até o final do ano. A finalização do processo depende do levantamento da artilharia – apontada para o Rio Paraguai. No Estado, o único forte preservado por lei é o de Coimbra, de 1775, também situado em Corumbá e recentemente restaurado pelo Ministério da Cultura. O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional) busca vestígios da fortificação de Miranda, construída à beira do rio de mesmo nome, e já encontrou fragmentos do Iguatemi, em Paranhos, ambos construídos no século 18.

“Mato Grosso do Sul é uma das regiões do País com o maior número de fortificações, e somente Corumbá concentrou total de seis, que se estendiam pela orla que concentra hoje o Casario do Porto até Ladário”, informou a superintendente regional do Iphan, Maria Margareth Escobar Ribas Lima. “A proposta é resgatar esse acervo de relevância histórica e tombar o que restou.”
O mapeamento e inventário dos dois fortes iniciaram-se em 2009, com apoio da Marinha e do Exército. Atualmente, apenas o Junqueira, situado na área urbana de Corumbá, é aberto à visitação pública e foi palco de gravações do longa-metragem “Brava gente brasileira” (2000), que focou o conflito entre portugueses e os índios Guaicuru no século 18. A proposta é incluir o arsenal naval no roteiro turístico.

Arco do Triunfo
Com traçado em polígono de oito lados, em que dois ângulos externos são reentrantes, assemelhando-se a um retângulo, o Junqueira teria uma ligação subterrânea com as demais fortificações não exploradas, cruzando hoje o centro histórico da cidade. Seus 12 canhões fabricados em 1872 estão intactos. As suas paredes são de pedra rejuntada e argamassada, com meio metro de espessura.
As muralhas em linhas quebradas e contínuas do arsenal que abriga o 6º Distrito Naval de Ladário eram guarnecidas, até 1880, por três baterias à barbeta pelo lado do rio (norte) e ao leste e sul, com 65 canhões. Algumas peças de diferentes calibres foram preservadas. Um dos principais monumentos do forte e atração turística é o portal de entrada, que lembra o Arco do Triunfo de Paris.
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