Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

ORQUÍDEA

Flor com 'cara' e também nome de Campo Grande

14 DEZ 2010Por BRUNA LUCIANER00h:03

O Executivo Municipal pretende encaminhar à Câmara Municipal Projeto de Lei que institui a orquídea Cattleya nobilior ‘Campo Grande’ a flor símbolo da cidade. Para entender porque a flor ganhou este nome e porque ela merece ser reconhecida como símbolo da Capital, é preciso conhecer um pouco mais a respeito dessas incríveis e instigantes plantas.

Para começar, vale a pena dizer que 10% das plantas conhecidas no mundo são orquídeas. Juntas, somam aproximadamente 235 mil espécies, entre nativas e híbridas, registradas na Real Sociedade de Horticultura da Inglaterra (RSH). Quem é que nunca se encantou com uma orquídea florida na casa dos pais, dos tios, dos avós, e levou uma bronca ao, curioso, tentar encostar nas pétalas?

Impera no consciente coletivo a idéia de nobreza que essas plantas representam; características como delicadeza, perfume e o fato de se dar ao luxo de florir apenas uma vez ao ano (em grande parte das espécies), conferem a elas um status superior à maioria das demais.

Outro detalhe interessante, e que poucas pessoas sabem, é que cada flor nascida na natureza (nativa) é um indivíduo diferente. Assim como cada ser humano é único e apresenta características únicas, cada orquídea carrega detalhes que a diferenciam das demais, a não ser que tenha sido produzido um clone, que é exatamente igual à matriz, através de sistemas como cultivo de bulbos ou meristemagem. 

Como cada flor é diferente da outra e algumas podem apresentar características de boa qualidade como perfeita simetria, cores homogêneas ou algum outro sinal característico que aparece só em determinado exemplar, os orquidófilos costumam acrescentar ao nome do gênero e espécie mais um nome que passa a fazer parte da denominação daquele cultivar. No caso da flor que será símbolo da cidade, o gênero é Cattleya, a espécie é nobilior e o cultivar é Campo Grande. Desta maneira, um exemplar de ótima qualidade ganhou um “apelido” acrescido ao seu nome em homenagem à cidade.

História da orquídea Campo Grande

Por idos da década de 1970, o senhor Augusto Bacha passava diariamente em frente a uma residência localizada na rua Pedro Celestino. Uma orquídea exuberante, em tamanho e forma, acomodada no alto de um coqueiro, chamava a atenção de Augusto, membro da Associação Campo-grandense de Orquidofilia e apaixonado por orquídeas antes mesmo de saber o que eram orquídeas.

Não havia quem não se encantasse com aquela exposição de beleza e graça. Um dia, Augusto pediu permissão para analisar a planta de perto. Com o auxílio de uma escada, ele observou que ela era diferente, que sua cor e seu formato arredondado e simétrico conferiam à planta mais do que as tais características únicas e a transformavam em um indivíduo nobre, acima da média.

A proprietária da residência não privou o resto dos mortais de poderem ser apresentados à exuberância da planta e doou algumas mudas para colecionadores da Capital. Hoje, cerca de 10 colecionadores possuem a planta, pedaço daquela do coqueiro, que veio a receber o nome de “Campo Grande” em comum acordo.

O objetivo do Projeto de Lei é que a Cattleya nobilior ‘Campo Grande’ seja considerada a flor símbolo no município, vindo a atrair turistas e orquidófilos do mundo inteiro, além de estabelecer e valorizar mais uma identidade para o município. Espaço para isso existe; na 5ª Exposição Nacional de Orquídeas, realizada em Campo Grande em agosto passado, vieram orquidófilos do Brasil inteiro e mais de 5 mil plantas foram comercializadas.

Para começar a ambientar e caracterizar a cidade, 200 orquídeas, muitas delas Cattleya nobilior, já foram distribuídas na praça do Itanhangá e na nova rodoviária. A intenção é colocar mais plantas nas grandes praças e avenidas para que no aniversário de Campo Grande, em agosto de 2011 (mês com a maior concentração de florescimento dessas plantas), os moradores sejam brindados com o colorido e o perfume das orquídeas.

Aquecimento Global

Sergio Ostetto, orquidófilo campo-grandense que ministra cursos sobre orquídeas Brasil afora, afirma, com a autoridade de quem estuda o assunto há muito tempo, que as mudanças climáticas têm influenciado diretamente no cultivo das plantas.

“Há 15 anos usávamos tela de sombreamento de 70%. O tempo foi passando e eu percebi que o sol começou a me queimar embaixo dessa tela, achei que eu estava mais sensível por causa da idade. Mas percebi que as plantas também apresentavam mudanças e tivemos que aumentar o sombreamento da tela para 80%”, explica Sérgio.

Sergio comercializa orquídeas e ministra cursos gratuitos para quem quer aprender a cultivá-las. O orquidário fica na Avenida América, 619, Vila Planalto, em Campo Grande. 

Doação de plantas

Quantas mulheres ganham orquídeas de presente e, depois que as flores morrem, a planta acaba na lixeira? Talvez por achar que “a função foi cumprida” ou por não saber como cuidar dela, o fato é que isso acontece com extrema freqüência. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, da Ciência e Tecnologia e do Agronegócio (Sedesc) fez essa pesquisa junto aos garis e constatou o descarte constante das orquídeas.

Para que o desperdício diminua e a prefeitura tenha plantas para espalhar pela cidade, ela lançou uma campanha para a arrecadação das orquídeas. Caso você ganhe uma de presente, e não saiba o que fazer com ela depois que as flores murcharem, a doação é uma boa opção. Ela ficará exposta na cidade, cuidada por pessoas que sabem o que fazer para mantê-las lindas por muito tempo.

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