Sexta, 15 de Dezembro de 2017

Filmes musicais norte-americanos inspiraram Johnny Alf

6 MAR 2010Por 03h:38
O cantor, compositor e pianista carioca Johnny Alf morreu ontem, aos 80 anos, em Santo André, na Grande São Paulo, onde estava morando. Há mais de três anos, Alf vinha sofrendo com um câncer de próstata e seu estado de saúde agravou-se desde segunda- feira. O enterro foi ontem, no cemitério do Morumbi, em São Paulo, cidade que adotou a partir da metade dos anos 1950. Nascido Alfredo José da Silva, na Vila Isabel de Noel Rosa (1910- 1937), no Rio de Janeiro, no dia 19 de maio de 1929, Johnny Alf se notabilizou por canções como “Eu e a brisa”, “Ilusão à toa” e “Rapaz de bem”. Ele foi criado pela mãe e uma família que a contratou como empregada doméstica depois da morte do pai. Mais tarde, por volta dos 9 anos, uma amiga dessa família, Geni Borges, o estimulou a aprender piano clássico. Os estudos de música erudita (“mais Chopin do que Debussy”) tiveram pouca influência depois, como o próprio Alf afirmaria anos mais tarde. O que mais teve impacto sobre sua criação artística foram os filmes musicais norte-americanos que tinham trilhas sonoras assinadas por gente do porte de George Gershwin e Cole Porter. “Era o que me acendia aquela vontade interior de criar alguma coisa. Então, quando voltava do cinema sob aquele impacto, eu ia ao piano e fazia coisas com a influência do que tinha ouvido”, dizia. Além do cinema musical, havia o jazz – e especialmente o trio do também pianista e cantor Nat King Cole o inspirou. Na música brasileira, os cantores Silvio Caldas, Orlando Silva e Dircinha Batista estavam entre seus prediletos. Ele também tocava Dorival Caymmi e sucessos do repertório de cantores requintados da época, como Lúcio Alves e Dick Farney. Dessa mistura de influências, surgiu o embrião da bossa nova que ele desbravou. Primeiro registro significativo de sua carreira de mais de 50 anos e poucos títulos, “Rapaz de bem” é considerado por especialistas como o primeiro disco de bossa nova, estilo que só adotaria essa nomenclatura em 1958 com o clássico “Chega de saudade” (Tom Jobim/Vinicius de Moraes) pela voz e o violão de João Gilberto. A revolução silenciosa de Alf chegou ao grande público três anos antes, mas já tinha o aval de uma plateia privilegiada de shows desde 1953: os jovens bossa- novistas João Gilberto, Tom Jobim, Carlos Lyra e João Donato, entre outros, que o tinham como grande ídolo. Seu maior êxito foi “Eu e a brisa”, de 1967. Alf gravou apenas 13 álbuns em mais de 40 anos e fez seu último show em agosto de 2009 no Teatro do Sesi, em São Paulo, ao lado da amiga Alaíde Costa.

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