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Teleobjetiva

Ficção científica

1 FEV 10 - 06h:52MAURO TRINDADE, TV PRESS
A adolescência costuma ser surpreendente. Não apenas pela dieta heterogênea, comparável aos avestruzes, e pela explosão de hormônios, cravos e espinhas. Mas principalmente pela extraordinária capacidade de fazer coisas estranhas. Como assistir a seriados esquisitíssimos, gostar do NX Zero e ir a festas “cosplay” vestido de Sailor Moon ou Gargamel. “Malhação ID”, da Globo, porém, não faz nada esquisito. É anormalmente normal. Até sendo diferente. Nem a presença de uma menina muçulmana – Samira, nome outrora usado por uma simpática comedora de quibes nas revistinhas do Maurício de Souza – consegue ser diferente. É apenas uma marola tardia da onda politicamente correta. O que é realmente inverossímil é a completa abstinência alcoólica a que todos os adolescentes estão submetidos. Nem um cigarrinho. Uma cerveja escondida na hora do recreio. Ou um digno porre com cachaça e cerveja, uísque e energético ou, vá lá, um “ice”. Estupefacientes nem se fala. Não se pode culpar o escritor Ricardo Hofstetter pelo desatino. A famigerada Classificação Indicativa da programação audiovisual estabelece as faixas de classificação dos programas segundo o horário de exibição. E, assim, qualquer criança de seis anos pode assistir nas tardes a programas de entrevistas com a presença de mulheres- frutas em atividades paradidáticas ou reportagens sobre assassinatos singulares e desgraças em geral exibidas em tom de indignação, horror e desespero. Tudo muito educativo. Cerca de 70% de crianças entre 13 e 15 anos já beberam, segundo o IBGE e o Ministério da Saúde. E 22% já ficou bêbada e 18% fumou maconha. É, portanto, um assunto de toda a adolescência e que, de alguma maneira, deveria ser tematizado pela televisão. E, de preferência, de forma a não transformar ficção em didatismo, uma praga que assola os folhetins e transforma qualquer enredo em uma novena pela alma do pobre infeliz que olhou as pernas da vizinha. Não é à toa que há multidões à espera de alguém para odiar no “Big Brother Brasil”. Ou para ver o romance moleque dos primos Malu e Gustavo, um dos melhores momentos de “Viver a vida”. Nos velhos tempos Isabel chutaria a irmã aleijada escada abaixo e Luciana iria chantagear meio mundo com grandes olhos tristes e bracinhos inertes. Transgressão é a maior diversão.
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