Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

Campo Grande - MS, terça, 18 de dezembro de 2018

Festas tradicionais de Corumbá – São João

5 JUN 2010Por 20h:38

... Todavia, a festa mais tradicional da cidade de Corumbá é a de São João, que acontece todo ano no porto geral, bastante descaracterizada pelo aparato tecnológico da modernidade, mas ainda tentando preservar a tradição.

Há muitos anos o São João passou a figurar como a festa mais típica da cidade, cuja originalidade está no banho que se dá na imagem do Santo nas águas do rio Paraguai e nas crendices e superstições a ele ligadas.

Diz a lenda que São João adormece no seu dia, pois se estivesse acordado, vendo o clarão das fogueiras acesas em sua honra, não resistiria ao desejo de descer do céu para acompanhar a oferenda e o mundo acabaria pelo fogo.

 

Se São João soubesse

Quando era seu dia

Descia do céu à terra

Com prazer e alegria.

- Minha mãe quando é meu dia?

- Meu filho, já passou!

- Minha mãe não me acordou?

- Acorda João!

- Acorda João!

João está dormindo,

Não acorda, não!

 

Mas se o santo tem o costume de dormir no seu dia, isso não acontece com o povo corumbaense, que guarda como uma de suas graças a festa de São João.

Antigamente a festa estava mais ligada à tradição. Pilhas de lenhas eram acesas em frente às residências e a noite se enchia de luz e labaredas amarelas que chicoteavam o ar frio, subindo para o céu.

Na Praça da Matriz, Dom Cirilo de Paula Freitas comandava a festança. Beatas faziam pés-de-moleque, chipas, doces... armavam barraquinhas, espichavam fios de arame com bandeirolas coloridas, fincavam o pau-de-sebo bem no centro da praça e, em cima dele, ao lado do retrato do santo, amarravam uma cédula de mil réis, que era para a gurizada apanhar.

Soltavam balões, foguetes, fogos de artifício, dançavam o cururu, o siriri, a quadrilha, faziam casamentos, jogos de prendas e adivinhações.

Depois das rezas, às 23 horas, as procissões começavam a descer a Ladeira Cunha e Cruz, para dar o banho no santo. Era aquela algazarra! Vários ranchos saindo das casas dos festeiros ao som de bandas, de sanfonas, de vilões, encontravam-se num dado momento e davam vivas: VIVA SÃO JOÃO! E gritavam, pulavam, dançavam; tal como hoje, todos os ranchos desciam a ladeira cantando o hino consagrado ao santo:

 

Deus te salve, João

Batista sagrado

O teu nascimento

Nos tem alegrado.

 

João batiza Cristo,

Cristo batiza João

E foram batizados

Nas águas do Jordão.

 

O refrão reforçava a animação dos ranchos, que seguiam as bandas com o povo cantando e pulando atrás do andor enfeitado.

As crendices eram muitas. Até hoje existe a crença que o rio Paraguai começa a baixar na noite de São João, e que se uma moça passar sete vezes debaixo do andor do Santo ela se casará no próximo ano.

O São João corumbaense, além de se revestir de curiosidades e peculiaridades, foi adotado como casamenteiro, recebe mais pedidos que o próprio Santo Antonio.

Naquela época, antes da chegada de 1920, os saraus em casas de família ou nos clubes recreativos já estavam na moda. Tertúlias literárias aconteciam frequentemente movidas a bailes nas sociedades italiana e portuguesa.

O carnaval era a festa popular mais animada na cidade e dele falaremos em outra oportunidade.

Cavalhadas e touradas preenchiam os momentos de diversão da população corumbaense.

Dizem que lá por volta de 1905, célebres ficaram as cavalhadas e as touradas que aconteciam na Rua Frei Mariano, no antigo Cinema Odeon e no Theatro Bijou, na Delamare. Exímios toureiros se exibiam tentando domar ou dominar os touros, aramados de lanças e usando a tradicional capa, eram ovacionados pelo povo, na melhor forma espanhola.

Em meio às cavalhadas existiam uma série de gincanas, de passatempos, de brincadeiras, que sempre fizeram parte do espírito alegre do corumbaense.

 

José Augusto Proença

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também