Sexta, 23 de Fevereiro de 2018

OPERAÇÃO VITRUVIANO

Federal indicia apenas nove por golpe contra herança

27 NOV 2010Por NADYENKA CASTRO05h:10

 

A Polícia Federal indiciou apenas nove dos 19 presos na Operação Vitruviano, realizada na quarta-feira, em Campo Grande, Dourados e Caarapó. Somente o ex-major da Polícia Militar Sérgio Roberto de Carvalho continua na cadeia. Apontado como líder da quadrilha que deu golpe milionário no espólio de Olympio José Alves, ele está no Presídio Federal da Capital.

Os últimos dois investigados a serem soltos foram Honofre Pereira de Matos, dono de uma garagem em Caarapó, e Paulo Francisco, proprietário de um posto de combustíveis em Dourados. Os empresários foram soltos na tarde de quinta-feira, após terem prestado depoimento pela segunda vez. Os demais presos foram liberados ainda na quarta-feira.

De acordo com o delegado responsável pela operação, Edivaldo Bezerra de Oliveira, os dois empresários, Rogério Tomé, que sacou R$ 1 milhão em espécie, e o ex-major estão entre os nove indiciados. "Eles não conseguiram determinar o que foi feito com o dinheiro que receberam", declarou Oliveira. Eles foram responsabilizados pelos crimes de lavagem de dinheiro, estelionato e formação de quadrilha. Segundo o delegado, as demais pessoas continuam sendo investigadas.

O inquérito que investiga a quadrilha liderada por Carvalho deve ser concluído em até 60 dias, mas o delegado pode pedir mais prazo. Oliveira não descarta novas prisões até a conclusão das apurações.

Investigações feitas pela PF revelaram que, sob o comando de Carvalho, o grupo movimentou mais de R$ 110 milhões entre 2002 e 2006. A movimentação financeira era feita através de empresas de fachada e de contas de laranjas. Em 2007, utilizando documentos falsos, a quadrilha conseguiu receber R$ 3,9 milhões da fortuna de Olympio, morto em 2005.

O montante foi dividido em contas físicas e jurídicas dos envolvidos, para não chamar a atenção da PF, que descobriu o caso após quebra de sigilo bancário e fiscal.

 Carvalho
O ex-major está preso também pela exploração de jogos de azar. Decisão do Superior Tribunal de Justiça, na semana passada, o manteve na cadeia devido à contravenção penal. Ele estava no Instituto Penal de Campo Grande quando, na quarta-feira, recebeu nova voz de prisão. Dessa vez pelos crimes de lavagem de dinheiro, estelionato e formação de quadrilha.

Para a PF, o ex-policial comandava o grupo mesmo dentro da cadeia e por isso foi encaminhado ao presídio federal, onde a segurança é mais rigorosa. Esta é a segunda vez que Carvalho vai à unidade federal. A primeira foi em maio do ano passado, quando a PF o prendeu em Corumbá, na Operação Las Vegas, por jogos de azar. Alguns meses depois a Justiça autorizou a transferência dele para o presídio estadual.

Quando foi preso no ano passado, o ex-major estava em liberdade condicional. Ele terminava de cumprir a pena pelo crime de tráfico de drogas, flagrado pela polícia em 1996. Carvalho também responde inquérito por jogos de azar, esse referente à Operação Xeque-Mate, em 2007.

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