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Fazer biocombustível a partir de aguapés é projeto da Embrapa

29 MAR 10 - 10h:21
Será possível produzir biocombustíveis a partir dos aguapés que diariamente descem o Rio Paraguai? Essa resposta a Embrapa Pantanal começou a buscar, juntamente com instituições parceiras, a partir da discussão de um projeto de pesquisa que irá avaliar sua viabilidade ou não. Uma primeira reunião interna na Embrapa Pantanal para iniciar esses estudos aconteceu no início da segunda quinzena deste mês de março. O projeto foi denominado “Produção de biocombustíveis a partir de ilhas flutuantes de biomassa em planícies de inundação do Brasil: estudo de caso no Pantanal” e já foi apresentado à Prefeitura de Corumbá. O projeto também é integrado por instituições como Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Embrapa Labex EUA, Embrapa Agroenergia, Grupo Combustíveis Alternativos e Laboratório de Engenharia Ecológica, ambos da Unicamp, a empresa Bioware de Campinas (SP), além da Embrapa Pantanal. O f lu xo dos a gu apés – também chamados na região de camalotes – pelo Rio Paraguai vem sendo monitorado pelo pesquisador Ivan Bergier, da Embrapa Pantanal desde janeiro de 2008. Com esse fim, ele instalou uma câmera de vídeo às margens do rio em meados de 2009 para monitorar a passagem das plantas aquáticas, permitindo mensurar a quantidade de biomassa exportada ao longo do tempo e verificar a sazonalidade da exportação. “Com esses dados, vamos definir a estratégia de captura das plantas. Já se sabe que o auge da exportação coincide com o período de cheia que vai de maio a julho”, disse Ivan. Na suinocultura A parceria com a Unicamp vai permitir o desenvolv imento de uma d issertação de mestrado que aborda a questão da sustentabilidade da produção de biocombustível a partir do camalote do Pantanal. “O uso do recurso natural deve dinamizar a economia local, mas sem comprometer a estrutura e o funcionamento do ecossistema”, afirmou o pesquisador. A dissertação deverá abordar ainda o uso do aguapé no Projeto Sustentabilidade da Suinocultura em São Gabriel do Oeste, liderado pelo pesquisador Ivan Bergier. “A proposta é utilizar o aguapé como elemento filtrante do biofertilizante líquido produzido pelos biodigestores, de modo a reduzir o potencial de contaminação do solo, água e emissão de gases de efeito estufa”, explica. A biomassa do aguapé “cultivada” nas lagoas pode ter destinos nobres como a produção de fertilizantes, fibras e bioenergia, incrementando a renda de pequenos e grandes produtores de suínos. A produção de biocombustível a partir do aguapé nativo do Pantanal ou cultivado em sistemas integrados de produção é interessante do ponto de vista da renovabilidade. Se a biomassa é plantada em solo, como a soja para produzir biodiesel, seria preciso o emprego de insumos não renováveis, como fertilizantes e combustíveis de origem fóssil, o que reduz substancialmente sua sustentabilidade. No caso do camalote nativo, como a planta é produzida na planície e se desloca naturalmente pelo rio, esses insumos são desnecessários. “No caso da produção de aguapé em lagoas de suinocultura também não haveria necessidade de deslocar áreas de produção de alimentos para produzir biocombustíveis”, explicou. A Em brap a Pa nt a n a l identificou o potencial de produção do biocombustível a partir desta biomassa e buscou parcerias para o início da pesquisa. A Embrapa Agroenergia, em articulação com a Embrapa Labex-EUA, realizará a caracterização da biomassa dos aguapés e do óleo extraído desta matériaprima. Também está sendo desenvolvida, sob orientação do pesquisador Ivan, uma dissertação de mestrado em Estudos Fronteiriços (UFMSCPAN), pela aluna Cristiane Nogueira de Jesus, cujo objetivo é avaliar o papel socioeconômico e cultural que o camalote desempenha na sociedade fronteiriça e com isso subsidiar as bases para o uso sustentável dessa biomassa. (Com informações de Ana Maio, da Embrapa Pantanal)
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