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POLÍTICA

Fazendeiros virtuais

Fazendeiros virtuais
18/02/2010 06:33 -


A auxiliar de serviços gerais Elizabeth Escobar Fortes, 50 anos, acorda às 6h e inicia os afazeres em sua propriedade rural. Colhe o que plantou, tenta se livrar das ervas daninhas – ameaça constante de boa colheita. Não se esquece de alimentar os animais e observa com atenção as propriedades dos vizinhos. A estudante Natália Cristina Fidelis de Almeida, 13 anos, é outra que tem a rotina marcada pela lida no campo. Por enquanto, antes de começarem as aulas, dedica-se cerca de três horas por dia para deixar tudo em ordem em seu latifúndio. Realiza a colheita antes da época, evitando assim os roubos que, normalmente, acontecem. O comerciante Lígio Aparecido Pereira, 39 anos, assim como Elizabeth e Natália, mantém uma pequena fazenda e diz que até há pouco tempo saltava da cama às 3 ou 4 horas da manhã para fazer colheitas. Assim como eles, cada vez mais pessoas de idades e faixas sociais diferentes têm direito a ter sua propriedade na zona rural. Antes que o leitor ache que a reforma agrária possibilitou o acesso de todos à terra, vai um aviso: os citados fazem parte do grupo de adeptos dos programas disponíveis nas redes sociais – Orkut e Facebook – denominados “Colheita feliz”, “Mini fazenda”, entre outros. Por meio deles, o internauta pode constituir área no campo, com detalhes semelhantes ao mundo real – animais, plantações, enfeites, vendas de produtos, lucros, entres outros. Sem esquecer os problemas desse tipo de empreitada: roubos e pragas. Para isso, tem que seguir regras, como, por exemplo, alimentar os animais em horário predeterminado e não deixar que as pragas ganhem terreno dentro da propriedade. “Os jogos começaram a virar febre há cerca de seis meses na internet, mas não é possível precisar a data certa do surgimento. Normalmente, essas manias virtuais começam entre iniciados, nerds, durante um bom tempo; somente quando se tornam mais simples é que ganham o grande público”, aponta o editor de Informática do Correio do Estado, Cleidson Lima. A secretária Crislaine Rodrigues de Almeida, 21 anos, há dois meses participa do jogo “Colheita feliz” e, recentemente, recebeu o reforço em sua casa da irmã, Edilaine, 28 anos, e do sobrinho, João Pedro, 10 anos. “Fico de olho o dia todo em como está a fazenda. É algo que faz o tempo passar mais rápido”. Porém, confessa certo sacrifício: “Acordo de madrugada para fazer colheitas e roubar as outras fazendas”. Invasão Este ponto da diversão causa polêmica. O jogador pode invadir outras propriedades e se apossar de itens alheios. Normalmente, isso acontece no período da madrugada. “É quando tem menos gente de olho”, aponta Elizabeth, que ainda conta com a companhia da família no jogo. “Meu marido e minhas netas gostam muito. Todos curtem cuidar da fazenda”. Entre os familiares foi criado um pacto: nenhum deles pode roubar a fazenda do outro. “Fizemos dessa maneira e está dando certo”. Elizabeth diz que dedica, em média, três horas por dia ao jogo – uma hora em cada período do dia. Se por um lado práticas ilícitas fazem parte da rotina do jogo, exemplos positivos também estão presentes. O participante pode entrar na fazenda do vizinho e ajudar na preservação. “Não é somente roubar, pode-se ajudar a acabar com as ervas daninhas dos amigos”, explica Elizabeth.

Felpuda


Político experiente tem repetido que não é o momento de falar em eleições. O momento é de tensão, de incertezas políticas e econômicas – como se o País fosse uma ilha de preocupações cercada pelo coronavírus por todos os lados. Em Mato Grosso do Sul, onde já se registrou morte pela doença e o número de casos só tende a subir, não poderia ser diferente. “É suicídio político para quem ousar falar em eleição neste momento”, conclui. Só!