Sexta, 23 de Fevereiro de 2018

ELEIÇÃO

"Fato novo" e "nova cara" poderão ser decisivos nas próximas eleições

10 JAN 2011Por ADILSON TRINDADE00h:00

O “fato novo” e a “nova cara” poderão ser decisivos nas próximas eleições para mudança na política de Mato Grosso do Sul a partir das eleições municipais de 2012. O pré-candidato a prefeito de Campo Grande, suplente de senador e jornalista Antonio João Hugo Rodrigues, avalia o desejo do eleitor de apostar em lideranças que estão surgindo com outras ideias para administrar os municípios e o Estado. Esta é a razão, observou ele, da deflagração antecipada da discussão eleitoral de 2012 visando à preparação para a sucessão estadual de 2014. Ele apontou “o desejo muito forte de se promover mudanças”, o que vem levando as lideranças partidárias a iniciar o debate eleitoral e até as negociações políticas de alianças.
Antonio João indicou o senador Delcídio do Amaral (PT), o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), a vice-governadora Simone Tebet (PMDB) e o deputado federal eleito Reinaldo Azambuja (PSDB) como “o novo” da política sul-mato-grossense.

Ele exemplificou ainda a eleição do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva como resultado de mudança e, por consequente, a eleição da Dilma Rousseff. “Serra não representava o novo, enquanto Dilma foi o fato novo da política nacional”, analisou Antonio João.

O ex-governador José Serra (PSDB) foi ministro da Saúde do Governo Fernando Henrique Cardoso e perdeu duas eleições presidenciais. Uma para o Lula, em 2002, e a outra para Dilma, em 2010.
Na busca de “fato novo” e “nova cara”, o governador André Puccinelli (PMDB) e o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, sinalizaram com a intenção de buscar acordo dos partidos da base aliada para apoiar candidato de consenso à prefeitura da Capital. O nome vai representar a renovação política como deseja o governador. O propósito, também, é evitar eventual rusgas no confronto eleitoral entre os aliados e decidir o pleito ainda no primeiro turno. Assim, acreditam, todos estarão juntos na sucessão estadual lutando pela eleição de Nelsinho.

Tanto André quanto Nelsinho avaliam, ainda, a importância da eleição de aliados nas prefeituras para fortalecer o candidato da base na sucessão estadual.

Antonio João, aliado ao prefeito da Capital, não tem dúvida da influência muito grande das eleições municipais na sucessão estadual. “São prefeitos unidos que ajudam a eleger o governador”, observou. Não é à toa, portanto, do esforço do governador participar ativamente do processo eleitoral municipal para a construção de grande base político-eleitoral.

A eleição dos prefeitos interessa ainda aos deputados federais e estaduais, além de senadores, para ajudá-los nos seus projetos de reeleição. “A política é uma máquina que nunca para”, comentou Antonio João. “É uma engrenagem que vive em pleno funcionamento. É um ciclo vicioso”, afirmou.
A disputa por cargos federais, no entendimento de Antonio João, também faz parte do projeto eleitoral. “Quanto mais cargos, maior é a força do partido e dos políticos”, afirmou o suplente de senador. Ele observou que por causa desta confusão criou-se também “o vício político de o governador assumir a responsabilidade pela eleição dos prefeitos”.

Fora do PTB
Antonio João anunciou estar pedindo, no início desta semana, o seu desligamento dos quadros do PTB. “Nunca tive espaço no partido e fui vítima de várias artimanhas”, afirmou. Ele disse que estará livre, fora do PTB, para conversas com as lideranças políticas sobre o processo eleitoral em Campo Grande e estadual. Mas não revelou qual será o seu novo partido.

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