Campo Grande - MS, sexta, 17 de agosto de 2018

SOFRIMENTO

Famílias vivem aflição à espera de notícias de parentes que estão morando no Japão

12 MAR 2011Por MARIA MATHEUS15h:41

Famílias sul-matogrossenses viveram momentos de angústia até conseguirem notícias dos parentes e amigos que vivem no Japão. A preocupação abalou mesmo aqueles cujos familiares moram longe de Sendai, cidade mais próxima do epicentro do terremoto que atingiu 8,9 graus na escala Richter. O marceneiro Paulo Otsuru, 59, ficou mais de 11 horas sem notícias da esposa, filho, nora e neto, que estão em Osaka.

Irene Otsuro, 55, viajou para a cidade japonesa no início de novembro, para auxiliar a nora e conhecer o neto que nasceu dias depois de ela chegar ao País. "Eu ainda não sei o que aconteceu, porque não tenho notícias. Desde cedo estou mandando e-mail, tentando telefonar, mas não consigo", lamentou o marceneiro, por volta das 16h. Ela deveria voltar no final de janeiro, mas adiou o retorno para abril. "Se ela ao menos estivesse aqui... Com ela junto, é outra coisa. São duas forças, um sozinho fica muito difícil".

Às 17h20min, finalmente, Paulo conseguiu conversar por telefone com o filho, Elizandro, e com Irene. "Agora meu coração está aliviado. Graças a Deus está tudo bem".

Elizando, 31, contou que estava em casa quando o terremoto atingiu o Japão, por volta das 15h local. Em Osaka, a intensidade foi menor, magnitude entre 5 e 6. "Tentamos ligar mais cedo, mas não estava dando linha, estava congestionado", disse ao Correio do Estado, por telefone. "Sentimos vários tremores. Agora mesmo teve um".

Consciente dos terremotos frequentes, ele deixa as malas prontas, para o caso de precisar sair às pressas de casa, mas disse que o medo já não o aflige. "A gente está aqui sabendo desse risco, a realidade do Japão é essa. Mas sabemos que as construções no Japão são feitas para suportar pelo menos 7 graus, então, isso nos dá certa tranquilidade". Depois do susto, Paulo quer convencer o filho a voltar ao Brasil.

A mesma aflição viveu a família de Acelino Nakasato, 61. Seu sobrinho, Celso Oshiro, mora na região de Guma. "Quando vi pela televisão, fiquei apavorado. Às 7h30min comecei tentar ligar e só consegui depois das 10h30min". Ele também conversou por telefone com o padre da Igreja N. Sra. Aparecida das Moreninhas, Carlos Higa, que está em Hamamatsu.

A Associação Nipo-brasileira estima que pelo menos 15 mil dekasseguis de Mato Grosso do Sul vivam no Japão. Conforme o presidente da Associação Okinawa, Jorge Tamashiro, a maioria mora na região centro-sul, pouco afetada pelos tremores. Ele também tem uma filha e um neto País, em Iwata. "Conversei com ela umas dez vezes ao longo do dia. Está tudo bem".

 * Reportagem publicada na edição de hoje do jornal Correio do Estado

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