sexta, 20 de julho de 2018

ELEIÇÕES

Família búlgara de Dilma Rousseff deseja sorte à presidente eleita

1 NOV 2010Por FOLHA ONLINE09h:17

A família búlgara da presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, cujo pai emigrou da Bulgária para o Brasil, aplaudiu nesta segunda-feira sua vitória nas eleições e desejou sorte e ânimo para que possa cumprir com seus objetivos. "É com muita alegria e orgulho que soubemos da vitória de Dilma Rousseff, que é metade búlgara", declarou à AFP Ralista Neguentsova, uma prima da presidente brasileira eleita. "É uma mulher que funciona principalmente graças a sua coragem, seu caráter. Desejo-lhe sorte", acrescentou.

Em Gabrovo (centro), cidade natal do pai de Dilma Rousseff, outra parente, Tochka Kovatcheva, se mostrou "convencida de que Dilma cumprirá com as expectativas dos brasileiros". "Desejo muita saúde e ânimo a ela", acrescentou, emocionada.

Toshka Kovatcheva, 72 anos, esposa do primo-irmão de Dilma Tsvetan Kovatchev, que faleceu recentemente, representa, junto de sua filha, o que resta da família Rousseff em Gabrovo, a cidade natal de Petar Roussev, que migrou em 1929.

Os moradores de Gabrovo, cidade de 60.000 habitantes ao pé da cordilheira dos Bálcãs, receberam com interesse no domingo uma exposição de fotos de Dilma Rousseff no museu municipal. "Fiquei surpresa com a quantidade de visitantes", afirmou Kovatcheva, que espera reunir-se pela primeira vez em breve com a nova presidente do Brasil.

Durante sua campanha eleitoral, Dilma Roussef manifestou aos jornalistas búlgaros seu desejo de viajar ao país de seu pai. A imprensa búlgara, normalmente indiferente à política da América Latina, publicou fotos de Dilma nas primeiras páginas e enviou correspondentes especiais para o Brasil.

Dilma declarou ao jornal 24 Tchassa se sentir um "pouco búlgara" e que tinha "carinho e amor" pelo país de seu pai, morto em 1962.

Petar Roussev inicialmente migrou para a França, depois para a Argentina e, por fim, se instalou no Brasil com o nome de Pedro Rousseff. A família que ficou para trás, incluindo sua esposa grávida, acreditava que ele havia morrido.

Em 1948, ele escreveu para a mãe, Tsana, anunciando seu sucesso como empresário e sua nova família no Brasil, onde teve três filhos, incluindo Dilma Vana.

Petar entrou também em contato com o filho do primeiro casamento, Luben, já morto, segundo Toshka Kovatcheva. "Sei que o filho dele, engenheiro civil, queria ir para o Brasil, mas, com o antigo regime comunista na Bulgária, não foi possível", disse.

Os habitantes de Gabrovo, que enviaram uma mensagem de apoio para a então candidata favorita nas eleições brasileiras, cheia de canto e dança folclóricas, aguardam a visita de Dilma. "Ela deve trazer empresários brasileiros: podemos aprender muito com eles sobre gestão de crise econômica", brincou Jan Gueorguiev, um aposentado.

A população da cidade é conhecida por sua avareza. O símbolo humorístico da região é um gato com cauda cortada: isso lhe permitiria passar mais rápido de um cômodo para o outro sem deixar que o calor escapasse no inverno. Segundo uma outra anedota, em Gabrovo, dança-se sem sapatos para não fazer barulho e aproveitar a música da cidade vizinha. "Esse espírito ''pão duro'' dos habitantes de Gabrovo é notório, mas ajuda com que eles sejam empreendedores e bem-sucedidos", explicou o prefeito, Nikola¯ Sirakov.

A cidade, que organiza um carnaval cheio de humor todas as primaveras, pode tornar-se agora "parceira do famoso carnaval do Rio, o que permitiria que os dois eventos crescessem mutuamente", completou o prefeito com um sorriso. Sirakov disse ainda acreditar que a "vitória de Dilma Rousseff inspirará orgulho e ânimo aos búlgaros". "Demonstra que quem luta consegue o que quer", enfatizou.

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