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Famasul prega o desmatamento zero

26 ABR 10 - 19h:11

Maurício Hugo

 

O presidente da Famasul - Federação da Agricultura, Pecuária de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel defende o desmatamento zero a partir de agora na agropecuária brasileira. Segundo ele, é possível expandir as atividades rurais sem que seja necessário abrir mais áreas de pecuária e de agricultura.

Só que afirma que, para isso, é preciso que haja uma indução fiscal, incentivos para que os produtores promovam trabalho de recuperação das áreas degradadas, especialmente na pecuária. Riedel destaca que com milhões de hectares recuperados a produtividade vai aumentar ainda mais e consequentemente a produção crescerá sem que haja a necessidade de novos desmatamentos, ou aberturas de novas fronteiras agrícolas.

Riedel também criticou duramente aqueles que se referem ao Brasil como detentor de um "grande passivo ambiental". Segundo ele, o Brasil tem, na verdade, um grande ativo ambiental. "Nosso País detém 53% de sua área completamente preservada, enquanto na China e na Europa, lá sim, há um imenso passivo ambiental, já que quase nada foi preservado", argumenta.

O presidente da Famasul acha que a população brasileira precisa mudar a sua visão em relação aos produtores rurais e deve orgulhar-se de quem está produzindo alimentos para o Brasil e o mundo.

 

Números comprovadores

De acordo com o Censo Agropecuário do IBGE de 2006, que levantou a situação de todos os biomas brasileiros, os biomas do Pantanal e da Amazônia são os mais preservados do Brasil. O Bioma Pantanal, com uma área total de 15.035.500 hectares, está com 86,77% de sua área original preservada. O Bioma Amazônico, com 419.694.300 hectares, está com 84% de sua cobertura orginal preservada.

O Bioma Cerrado, que tem área total de 205.900.000 hectares, está com 60,4% de sua área intocada, enquanto o Bioma Caatinga, com 84.445.300 hectares, está com 62,77% da sua área preservada.

Os biomas Pampa e Mata Atlântica, por serem regiões mais habitadas, especialmente as áreas no litoral, estão com menor cobertura original. De acordo com o levantamento do IBGE, o Bioma Pampa, de 17.649.600 hectares, está com 41,32% de sua área preservada, enquanto o Bioma Mata Atlântica, que tem área total de 11.018.200 hectares, estava em 2006 com 26,97% de sua área preservada.

E mesmo com a preservação significativa dos principais biomas, a Embrapa, conjuntamente com a entidade maior que representa os produtores rurais, está desenvolvendo o Projeto Biomas que tem como principal objetivo buscar soluções para a proteção e o uso sustentável dos biomas brasileiros.

O projeto trabalha com dois focos principais: a preservação do patrimônio ambiental do Brasil e a oferta de alimentos baratos e de qualidade para a população. "A ideia é que se garanta que o produtor rural e a sociedade, em conjunto, sejam beneficiados nos aspectos sociais, econômicos e ambientais", explicou Eduardo Riedel.

E complementa afirmando que, além de implantar redes de pesquisa, o projeto contará com um forte componente de capacitação técnica para produtores, técnicos e pesquisadores, gerando ferramental que possa viabilizar diversificação de renda, fixação de mão de obra e ganhos ambientais.

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