Campo Grande - MS, terça, 21 de agosto de 2018

CONSTRUÇÃO CIVIL

Falta de mão de obra com nível superior contribui para inflacionar salários na Capital

3 ABR 2011Por Carlos Henrique Braga, Correio do Estado15h:56

 O avanço econômico experimentado nos últimos anos intensificou a necessidade de profissionais com curso superior. Faltam pedreiros para tocar as obras em Campo Grande, mas também faltam engenheiros e arquitetos especializados. Na prática, a falta de gente superqualificada fez o engenheiro Lídio Fernandes, da Engegrande, desembolsar 100% a mais para manter a equipe. Ele paga R$ 3 mil para o estagiário de arquitetura, mesmo salário inicial proposto a engenheiros na Fundação Social do Trabalho (Funsat).

É nesse setor que o déficit de mão de obra é mais explícito (entre pedreiros e outras funções de base o déficit na Capital é de 6 mil pessoas), porém não é preciso reforçar os quadros só na construção. Médicos veterinários sem especialização, por exemplo, demoram mais a encontrar emprego. Na saúde humana, a aceleração econômica turbinou a rede pública, aquecendo a demanda por médicos na Capital, enquanto o interior deixou de ser o Eldorado para os doutores.

Quando a oferta interna é insuficiente, a saída mais rápida e fácil é importar mão de obra. Entre 2009 e o ano passado, a concessão de vistos de trabalho a engenheiros e arquitetos de outros estados cresceu 22,3%, de 130 para 159, segundo relatórios do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-MS).

Na contramão, os registros obtidos por profissionais formados em Mato Grosso do Sul sofreram redução de 3,8%, de 284 para 273. Em 2010, foram 50 engenheiros civis locais contra 62 de fora. Um ano antes, a relação era 55/42. Em algumas áreas, como engenharia mecânica, o número de vistos é até 275% maior que o de regristros locais: no último ano, foram 4 registros contra 15 vistos.

"Eu já avisava isso (déficit de profissionais) quando era presidente do Crea. O governo precisa ter mão firme para traçar uma política de desenvolvimento e organização da engenharia, se não as obras públicas vão parar", avisa, de novo, o presidente do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon-MS), Amarildo Melo.

É necessário formar 82 mil profissionais por ano no Brasil, mas, segundo o sindicalista, apenas metade disso sai com diploma na mão.

Para piorar, boa parte migra para funções melhor remuneradas, fazendo carreira como funcionários públicos. "É um crime formar engenherios e não deixá-los ser engenheiros", fala Melo.

 

Salários

Oferta em baixa, salário em alta. Na Engegrande, o estagiário de arquitetura recebe R$ 3 mil por mês; o engenheiro, R$ 7 mil. Para Fernandes, o dono, "falta vivência de obra" aos profissionais daqui e "as universidades são fracas". O engenheiro, David Rees, subiu de R$ 350 para R$ 380 (8,5%) a remuneração do metro quadrado aos engenheiros do seu time, que hoje toca quatro obras.

A Funsat intermediou cerca de 50 contratações de engenheiros desde outubro do ano passado, número recorde. Os salários partem de R$ 3 mil, acrescidos de horas extras e outros benefícios. Entre as construtoras, a mexicana Homex sua para completar o quadro de funcionários que vai erguer seu condomínio de casas para a classe média. Na quarta-feira, procurava, há dias, por três engenheiros.  

 

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