sábado, 21 de julho de 2018

AGRONEGÓCIO

Falta carne na cidade e preço da arroba do boi tem alta de 30%

22 OUT 2010Por Carlos Henrique Braga00h:00



Falta carne bovina para atender distribuidoras e açougues da Capital. A escassez é efeito da dificuldade de frigoríficos em comprar bois prontos para abate nesta entressafra. Com oferta em baixa, a arroba já subiu 30,96% desde outubro, saiu de R$ 71,78 e bateu R$ 94, ontem, segundo cotação da Rural Business. A indústria diminuiu a produção e não descarta cortar funcionários para evitar prejuízos se a oferta não aumentar e o preço do animal continuar subindo.
A arroba não dá sinais de arrefecimento e, segundo especialistas, vai ficar mais cara até as festas de fim de ano.  A valorização polpuda é histórica: em São Paulo, a arroba foi negociada a R$ 101,35, no mercado futuro, na quarta-feira, perto do índice histórico (R$ 102,99), de novembro de 1999, medido pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo.
Preços altos favorecem pecuaristas mas coloca compradores em alerta. Frigorífico da região de Campo Grande oferece até R$ 95 pela arroba, à vista, mas não consegue fechar a pequena escala de 400 animais por dia. A produção caiu 40%, para 240, e o dono estipulou prazo para demitir trabalhadores se o mercado não aumentar a oferta. “Se em 30 dias não melhorar, a gente vai ter que cortar (funcionários) para reestrututar a empresa”. Ele recomenda ao Governo do Estado que barre a saída de bois vivos para São Paulo, onde são abatidos, para evitar queda maior na oferta.
Na distribuidora de carne de Evilázio Duarte, em Campo Grande, o estoque diminuiu 25% nas últimas seis semanas. No período, o coxão mole subiu 1% a cada semana. O maior problema é abastecer bairros de classe média alta, onde os cortes nobres (da traseira do animal) são mais consumidos. “Esses são os que acabam mais rápido”, diz o empresário.
O reflexo no açougue é direto. A comerciante Jandira Ribeiro ficou sem carne na semana passada porque os fornecedores estavam sem o produto. “A sorte é que eu tinha em estoque”, conta. Segundo ela, o quilo do boi inteiro passou de R$ 5, há quatro meses, para R$ 6,50. Não tem como segurar o aumento. “Eu até tento, mas não dá para não repassar o preço mais alto”, diz Jandira.

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