sábado, 21 de julho de 2018

OPERAÇÃO CONJUNTA

Fábrica produzia remédios falsificados

30 SET 2010Por 13h:53

karine cortez

A Operação Erva Daninha fechou ontem uma fábrica clandestina de remédios naturais. O estabelecimento funcionava na Rua Guassu, Vila Jacy, em Campo Grande. No local foi apreendida uma tonelada de produtos já embalados para venda e matéria-prima.
Os remédios eram manipulados numa residência totalmente inadequada, com péssimas condições de higiene, sem autorização da vigilância sanitária municipal, por Bento Rodrigues, 52 anos, e a esposa dele Pinos Teresa dos Santos Rodrigues, 50 anos. Os dois não tinham autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produzir e comercializar os produtos.
A ação, deflagrada pela Anvisa, em parceria com a Polícia Federal, Delegacia do Consumidor, Conselho Regional de Farmácia e Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), resultou na apreensão de medicamentos para tratamento de várias doenças, entre elas diabetes, câncer, pressão alta e impotência sexual como o “Viagra do Pantanal”. Mas, segundo agentes da Anvisa, todos eram fabricados de forma inadequada e sem qualquer princípio ativo para tratar a patologia. No caso de diabetes, por exemplo, o composto continha açúcar e colocava em risco a vida do consumidor portador da doença. “O açúcar não deve ser consumido pelo diabético e pode até matar”, disse um dos agentes da Anvisa.
O presidente do Conselho Regional de Farmácia, Ronaldo Abrão, disse que esses medicamentos falsificados, como os estimulantes sexuais, não terão efeito ou causarão intoxicação no paciente. “São produtos fabricados em fundo de quintal que não têm qualquer tipo de higiene”, enfatizou. Já com relação aos produtos para tratar hipertensão, câncer e diabetes, o problema pode ser ainda maior e levar até o paciente à morte. Muitos chás para pressão alta, curar doenças da próstata e emagrecimento eram manipulados apenas com fécula de mandioca, segundo a Anvisa.

Procurado
Bento Rodrigues já estava sendo procurado pelos agentes da Anvisa porque seus produtos foram encontrados sendo comercializados em diversas regiões do País. Conforme a Anvisa até mesmo no Estado do Amapá existiam medicamentos fabricados por Bento. Mas, como estratégia para fugir da fiscalização o falso fabricante de ervas mudava constantemente de endereço e sempre colocava na embalagem dos produtos telefones e endereços falsos.
Bento e a esposa foram presos pela Decon, enquadrado no artigo 273 do Código Penal  e responderão pelo crime de falsificação e adulteração de produtos destinados a fins medicinais. Se condenados, os dois podem pegar de 10 a 15 anos de prisão.

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