segunda, 23 de julho de 2018

RIO PARAGUAI

Expedição do Ibama constata assoreamento

12 NOV 2010Por DA REDAÇÃO14h:58

A equipe de técnicos do Ibama de Mato Grosso do Sul que realiza uma expedição ao longo do Rio Paraguai de Corumbá a Porto Murtinho (sudoeste do Estado) flagrou bancos de areia e queda de barrancos no trecho navegado.
 O barco do próprio Ibama, uma lancha de 19 pés, encalhou em dois pontos do percurso, E a equipe do Ibama flagrou outras embarcações com o mesmo problema, já próximo de Porto Murtinho. (ver foto).

Foram percorridos cerca de 410 km do rio, navegando em alguns trechos em águas internacionais nas fronteiras com a Bolívia ao norte e o Paraguai mais ao sul. 

“Agora não é mais só o Taquari que está assoreado” diz David Lourenço, superintendente do Ibama em Mato Grosso do Sul, um dos integrantes da equipe de analistas do Ibama que percorreram em dois dias esse longo trecho do rio.

Além do assoreamento do leito do rio Paraguai que provocou dois encalhes da embarcação do Ibama, todo o trecho dentre esses dois pontos apresenta problemas de quedas de barrancos e desmatamentos que atingem matas de carandás, palmeiras típicas dessa região.

A pressão dos desmatamentos das cabeceiras dos rios que formam a bacia do Paraguai está comprometendo seriamente a navegabilidade do rio em toda a sua extensão, num período já crítico de seca na bacia, afirma Lourenço.

Toda a hidrovia já apresenta problemas diz ele. A movimentação intensa de chatas e dos comboios de rebocadores provoca muita marola forte que está atingindo as margens do rio e provocando quedas de barrancos, cont

Outro motivo de preocupação para o Ibama é que os 6 vilarejos existentes – todos do lado Paraguaio- localizados ao longo do trecho navegado colocam uma pressão indireta nos recursos pesqueiros dessa região, tornando claro que as denúncias de pesca predatória possam de fato estar ocorrendo nesses trechos da fronteira brasileira.

O embarque e desembarque de minérios em Porto Esperança, por exemplo, causa preocupação aos técnicos do Ibama que constataram movimentação de estoques de minério sem tratamento  ambiental adequado. “há movimentação de minério provocando poeira nos vilarejos, afetando a qualidade do ar das populações residentes nessas áreas” afirma David.

A região do pantanal do Nabileque já no município de Porto Murtinho se constitui ainda  como uma área preservada, com potencial de Unidade de Conservação, em especial por causa da morraria existente no local denominado Feixe de Morros e das baías cheias de tuiuus.

“Vamos fazer gestões no Ministério do Meio Ambiente no sentido de se criar uma  Unidade nessa região. O que constatamos  em todo esse percurso é um vazio, a ausência de fiscalização do governo brasileiro, afirma Davi. Segundo ele, “o que vemos aqui é a necessidade de uma fiscalização de faixa de fronteira mais forte por parte dos brasileiros. Para isso vamos buscar parcerias com o Exército, a Polícia Federal, a PMA e com autoridades diplomáticas do Itamaraty em Brasília para que possamos atuar de maneira mais intensa em toda essa região”, conclui.

         

Leia Também