domingo, 22 de julho de 2018

MERCADO

Expansão da construção civil vai desacelerar em 2011

7 DEZ 2010Por ESTADÃO20h:02

O nível de crescimento alcançado pela construção civil em 2010 dificilmente será repetido nos próximos anos, conforme projeções apresentadas nesta terça-feira,7, pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil brasileira deve fechar este ano com avanço de cerca de 11%, nível recorde para o setor que, pela primeira vez, apresentará incremento anual de dois dígitos.

O resultado deste ano também irá superar a projeção feita no final de 2009, de avanço de 8,5%.

A perspectiva traçada para 2011 é de desaceleração da alta, com estimativa de aumento do PIB do setor de 6%. No topo dos desafios apontados como responsáveis pelo ritmo menor de crescimento figuram a escassez de terrenos adequados e, principalmente, de mão de obra qualificada.

"Há um sentimento geral de que a mão de obra será um dos grandes problemas de 2011. Os empresários estão pessimistas em relação à evolução dos custos", assinalou a consultora da FGV Ana Maria Castelo.

"Os resultados (deste ano) superaram as expectativas do início do ano, mas manter taxas de dois dígitos requer um esforço consideravelmente maior", acrescentou Ana Maria.

De janeiro a novembro deste ano, o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC-M) acumula expansão de 6,95%, sendo que o componente mão de obra foi o que mais pressionou, com alta de 8,73%.

Apesar de já contarem com um cenário menos aquecido em 2011, os empresários da construção civil se mostram otimistas com o desempenho do setor, conforme sondagem da FGV. De acordo com o estudo, os empresários estimam que o crédito seguirá em expansão e os lançamentos de imóveis serão voltados para os segmentos de média e baixa renda --principais alvos do programa habitacional do governo "Minha Casa, Minha Vida".

CRÉDITO IMPULSIONA SETOR EM 2010

O forte desempenho da construção em 2010 vem sendo apoiado no aumento do crédito e na disponibilidade de recursos para o "Minha Casa, Minha Vida".

O volume de financiamentos somava R$ 64,5 bilhões até outubro, se considerados os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), com possibilidade de fechar o ano na casa dos 70 bilhões de reais.

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