Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

FORÇA-TAREFA

Exército fixa posição para começar a patrulhar favelas

4 DEZ 2010Por RIO04h:10

A Brigada de Infantaria Paraquedista montou uma barricada no principal acesso ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, na tarde de ontem. O bloqueio foi instalado um dia após o anúncio de que os militares terão poder de polícia e passarão a patrulhar as favelas ocupadas no Rio nos moldes do que ocorre no Haiti. Mais cedo, um blindado do Exército foi posicionado no mesmo local onde foi instalada a barreira.

A barreira foi instalada na estrada do Itararé com a avenida Joaquim de Queiroz e é composta por grandes sacos de terra, que foram trazidos do quartel da brigada, na Vila Militar, zona norte do Rio.

O objetivo da barricada é garantir a segurança da tropa. Os sacos de terra servem de proteção para balas, de possíveis ataques de traficantes. Outro bloqueio semelhante já tinha sido instalado na Fazendinha, também no Complexo do Alemão. De acordo com o major do Exército Eduardo Veiga, o Exército vai colocar barricadas em outros acessos ao Complexo do Alemão.

Na manhã de anteontem, o comandante do Exército, general Enzo Pari, anunciou as medidas. Ele ressaltou, no entanto, que o planejamento das tropas ainda será feito, com um estudo do contingente de militares que irá ocupar a área. O conjunto de favelas está ocupado por forças de segurança desde o último domingo.

As tropas brasileiras combateram, no Haiti, bandos que promoviam linchamentos em praça pública e aterrorizavam bairros. As quadrilhas, no entanto, não tinham tanto poder de fogo e ousadia como os traficantes do Rio, segundo o general Fernando Sardenberg, da Brigada de Paraquedistas de Infantaria, que apoiou as ações do Complexo do Alemão.

O Complexo do Alemão foi ocupado domingo passado, com o apoio das Forças Armadas, praticamente sem resistência dos traficantes. Na quinta-feira (25), policiais já tinham entrado na Vila Cruzeiro, favela vizinha ao complexo. As ocupações ocorreram após uma série de atentados ocorridos na cidade. As ações criminosas seriam uma retaliação dos traficantes contra a instalação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em morros e favelas, segundo as autoridades de segurança.

As ações foram uma resposta do Estado a uma série de ataques, que começou na tarde do dia 21 de novembro. Em uma semana, pelo menos 39 pessoas morreram e mais de 180 veículos foram incendiados por criminosos nas ruas do Rio de Janeiro.


 

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