Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

investigação

Ex-mulher de Bruno confirma que temia pela vida do filho de Eliza

9 NOV 2010Por AGÊNCIA ESTADO, CONTAGEM01h:05

A ex-mulher do goleiro Bruno Fernandes, Dayanne Rodriques do Carmo Souza, disse à Polícia Civil mineira que, quando o desaparecimento da ex-amante do jogador, Eliza Samudio, começou a ser investigado, Bruno se reuniu com a família e, aos prantos, disse que seria preso e que sua carreira havia acabado.

Em audiência no Fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, na manhã de ontem, ela confirmou a maior parte do depoimento à polícia e a autoria de uma carta enviada ao Ministério Público (MP) na qual afirmou que desconfiou da morte de Eliza e que temia que o bebê da vítima também fosse morto.

Segundo Dayanne, a reunião de Bruno com a família ocorreu após a polícia começar a investigar o desaparecimento de Eliza. A reunião, de acordo com ela, ocorreu na casa da avó do goleiro, que o criou. “O Bruno foi a Ribeirão das Neves e só chorava e dizia que a carreira dele havia acabado. Que ele ia ser preso. Mas não sabia o que tinha acontecido com a menina (Eliza)”, contou.

Poucos dias antes, Bruno havia encarregado a ex-mulher de cuidar da criança, que seria fruto do relacionamento dele com a ex-amante. Dayanne chegou a ser presa em flagrante acusada de sequestrar o bebê. Depois, revelou à polícia que havia deixado a criança com amigos do goleiro, por ordem do braço direito do jogador, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão.

“Sempre que eu falava com Macarrão, ele dizia que não era nada grave. Mas eu comecei a desconfiar. A possibilidade de o bebê estar correndo risco de vida era muito grande”, disse, na carta enviada ao MP, cujo teor Dayanne confirmou à juíza Marixa Fabiane Lopes. E acrescentou que revelou onde o menino estava porque “temia o que podia acontecer com ele.”

O temor, segundo ela, seria porque ouviu um dos primos de Bruno, Sérgio Rosa Sales – que confessou o crime à polícia – dizer que o plano inicial era matar Eliza e o bebê. “A criança poderia estar morta. A intenção do Macarrão era eliminar mãe e filho”, acusou. Dayanne atribuiu a preocupação ao “instinto materno”. “Saber que Bruno Samudio está bem, para mim já é um alento. Porque sou mãe. Ter cuidado de Bruno Samudio foi o erro mais acertado”, declarou, referindo-se ao bebê.

Segundo a polícia e o Ministério Público, a criança seria o motivo do assassinato de Eliza, que travava uma disputa judicial com Bruno pelo reconhecimento da paternidade. Pelas investigações, ela foi morta a mando de Bruno pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, com ajuda de Macarrão de um primo do goleiro, de 17 anos, já condenado pelo crime. Eliza desapareceu no início de junho, mas seu corpo nunca foi encontrado e a defesa dos nove acusados do crime – inclusive a própria Dayanne – tenta negar o homicídio.

Inquérito
O depoimento de Dayanne prestado durante o inquérito policial termina com a afirmação de que, na opinião dela, “Eliza está mesmo é morta”. Com exceção de uma data e uma relação de parentesco, essa foi a única parte do depoimento que ela corrigiu. “O que falei foi que se um ser humano, qualquer ser humano, é estrangulado, picado e servido aos cães, ele não pode estar vivo”, afirmou, referindo-se à forma como, segundo as investigações, Eliza teria sido morta.

Mas Dayanne confirmou que Bruno via a ex-amante como um problema e que em 10 de junho Eliza saiu com o bebê do sítio do goleiro em Esmeraldas, também na Grande BH, junto com Macarrão e o menor. E que depois os acusados voltaram com o bebê, mas sem Eliza.

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