domingo, 15 de julho de 2018

CRISE ECONÔMICA

Europa vive situação semelhante à América Latina dos anos 80 e 90

28 NOV 2010Por Jamil Chade (AE) 04h:50

Governos que caem, missões do Fundo Monetário Internacional (FMI) que desembarcam, milhares de pessoas em protestos nas ruas, desemprego, rombos em contas e políticos populistas com soluções mágicas ganhando terreno. O cenário poderia ser a descrição de um país latino-americano ou do Sudeste Asiático nos anos 80 ou 90. Mas a realidade é que isso não passa de uma descrição da Europa de 2010.

Neste domingo, a União Europeia e o FMI tentarão anunciar ao lado do governo irlandês um pacote de 85 bilhões de euros para resgatar a economia do pequeno país de 4,5 milhões de habitantes. Mas a constatação da UE e de analistas é de que a crise econômica há muito se transformou em crise social e, para vários governos, crise política que hoje os ameaça.

Atualmente, o desemprego na UE já atinge 23,1 milhões de pessoas. Em alguns países, como Espanha, a taxa chega a 20% da população e 40% dos jovens. Pacotes de austeridade foram aprovados em diversos países, reduzindo a taxa de crescimento de muitos deles e levando milhares de pessoas às ruas.

Na quarta-feira, Portugal fez sua primeira greve geral em anos. Na Itália, manifestantes ameaçaram o Parlamento diante de cortes de ajuda a estudantes. No Reino Unido, estudantes não economizaram na violência. Na França, as greves vêm se repetindo há semanas, enquanto na Grécia os sindicatos insistem que não vão desistir de pressionar diante de cortes cada vez mais profundos na agenda social.

Pretensões políticas
Para os governos, a situação agora ameaça suas pretensões políticas e o resultado de eleições. Na sexta-feira, o partido no poder na Irlanda foi abalado com o fim da coalizão que formava o governo. O primeiro-ministro Brian Cowen já passou para a história como o chefe de governo com menor índice de popularidade e está sendo pressionado a convocar eleições antecipadas.

O mal-estar chegou à sociedade. "Em toda minha vida, nunca vi as pessoas tão irritadas como agora", afirmou Peadar Kirby, diretor do prestigiado Instituto de Estudos sobre o Conhecimento na Sociedade da Universidade de Limerick. "Não suportam a ideia de que o FMI desembarcou no país e são os trabalhadores que estão pagando a conta pela crise", diz.

Mas os irlandeses não são os únicos a sofrer. A população da Islândia foi o primeiro país a ver o governo se desfazer e convocar eleições diante do derretimento de sua economia nos primeiros meses da crise em 2008. Neste ano, foi a vez de Gordon Brown perder as eleições no Reino Unido. Em Portugal, o governo socialista de José Sócrates aprovou na sexta-feira o maior pacote de austeridade em 30 anos. Seu partido já teme pelo pior em janeiro de 2011, quando o país vota para escolher o novo presidente.

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