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EUA pede que Paquistão investigue rede de apoio de Bin Laden

8 MAI 2011Por BBC Brasil19h:03

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu que o Paquistão investigasse a rede de apoio que ajudava Osama Bin Laden enquanto ele estava escondido em Abbottabad, onde foi morto na semana passada.

Em uma entrevista ao programa 60 Minutes do canal americano CBS, Obama afirmou que o governo paquistanês precisa descobrir se alguma autoridade do país sabia do paradeiro do líder da rede extremista.

Na entrevista Obama afirmou que Bin Laden devia ter "algum tipo de rede de apoio" no Paquistão, mas acrescentou que não sabe se membros do governo paquistanês estariam envolvidos nesta rede.

"Não sabemos se havia algumas pessoas dentro do governo (paquistanês), pessoas de fora do governo, e isto é algo que temos que investigar e, mais apropriadamente, o governo paquistanês precisa investigar", disse Obama na entrevista gravada na quarta-feira.

"E nós já comunicamos isto a eles e eles indicaram que tem um profundo interesse em descobrir que tipo de rede de apoio Bin Laden pode ter tido", acrescentou.

Em outra entrevista, desta vez para um programa da rede americana NBC, o conselheiro de segurança do governo americano, Tom Donilon, afirmou que o governo paquistanês precisa determinar como Bin Laden viveu durante seis anos ao lado de uma academia militar e a cem quilômetros da capital, Islamabad.

Viúvas

Com a morte de Bin Laden, aumentaram as especulações de que o novo líder da rede Al-Qaeda poderia ser o vice, Ayman al-Zawahiri. Mas, de acordo com Tom Donilon, o egípcio não "chega nem perto de ser o líder que Osama Bin Laden foi".

Donilon também afirmou que as autoridades paquistanesas precisam dar aos Estados Unidos acesso às três viúvas de Bin Laden, que foram detidas depois da operação na qual o líder da Al-Qaeda morreu.

Nesta operação foram apreendidos também arquivos digitais, de áudio e vídeo, além de material impresso, computadores, dispositivos de gravação e documentos escritos à mão. Entre os documentos estariam também cartas pessoais de Bin Laden a outros membros da rede.

"A CIA nos informou que é (o arquivo de informações secretas) do tamanho de uma biblioteca de uma pequena universidade", disse Donilon.

Em meio a estes documentos apreendidos estão também os cinco vídeos, que o Pentágono divulgou no sábado sem áudio, de Bin Laden lendo uma mensagem para os Estados Unidos e assistindo um programa sobre ele mesmo na televisão.

ONU

O inspetor especial da ONU a respeito de execuções arbitrárias, extrajudiciais ou sumárias, Christof Heyns, afirmou neste domingo à BBC que é necessário determinar se a execução de Bin Laden foi realmente necessária e se pode abrir um precedente no qual qualquer país poderia cruzar fronteiras para perseguir inimigos.

"E não estamos entrando em um terreno perigoso ao afirmar que o mundo inteiro é um campo de batalha?", questionou.

De acordo com Heyns, a Casa Branca deveria revelar quais as ordens que foram dadas para as forças especiais americanas que conseguiram entrar no complexo onde Bin Laden estava.

Mas, o congressista americano Peter King, presidente do Comitê de Segurança Nacional da Câmara dos Representantes, afirmou que a operação que resultou na morte do líder da Al-Qaeda foi totalmente legal.

Autoridades americanas afirmaram que o complexo em Abbottabad, onde Bin Laden vivia, era um centro de comando de onde o líder da Al-Qaeda liderava de forma ativa a rede extremista.

Mas, uma autoridade do serviço secreto paquistanês que não foi identificada, disse à agência de notícias Reuters que esta afirmação "parece ridícula".

"Não parece que ele estava liderando uma rede de terrorismo."

Depois da morte de Bin Laden surgiram suspeitas de que alguém do Serviço Secreto Paquistanês (ISI, na sigla em inglês), que tem um histórico de contato com grupos militantes, poderia saber onde o líder da Al-Qaeda estava se escondendo. Mas, o Paquistão rejeitou estas suspeitas.

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