Sexta, 23 de Fevereiro de 2018

WIKILEAKS

EUA consideram estratégica reserva de minério em MS

24 DEZ 2010Por Sílvio Andrade, Corumbá00h:00


Aguardando por décadas grandes projetos siderúrgicos que não saíram do papel, com a carência de energia e de logística não atraindo os investidores nacionais e internacionais, Corumbá é considerada uma região vital para o futuro da indústria dos Estados Unidos. Suas reservas de minério de ferro, considerado um dos melhores do mundo, e de manganês, são estratégicas para o mercado internacional.

O município aparece em documentos secretos dos Estados Unidos vazados pelo “Wikileaks” — site que divulgou pela Internet informações consideradas sigilosas do governo norte-americano —, os quais destacam as jazidas do Maciço de Urucum, que se estendem até a Bolívia. A reserva corumbaense foi citada em relatórios elaborados pelos diplomatas a partir de pedido feito pela secretária de Estado, Hillary Clinton. Ela pediu a lista dos 300 locais no planeta cuja perda ameaçava os EUA. A indústria norte-americana depende do suprimento de matérias-primas de Corumbá, sob risco de colapso em caso de uma guerra.

O foco dos EUA, segundo os papéis secretos, não traduz a importância dada pelo Brasil a esta riqueza mineral explorada desde 1930 pelos belgas. Nem mesmo o Gasoduto Bolívia Brasil viabilizou o beneficiamento do minério no município. A siderúrgica de ferro-gusa da MMX esbarrou em limites ambientais, que tornam a periferia do Pantanal intocável, e sua produção está sendo retomada lentamente pela Vetorial.

Com o gás natural foi anunciado o pólo minero-siderúrgico, um consórcio comandado pela Vale, com investimentos de bilhões de dólares. Mas sequer a usina termelétrica, projetada pela MMX, entrou em operação por falta de licenciamento ambiental. Posteriormente, a Rio Tinto anunciou sua planta siderúrgica, que também não avançou.

Por último, o governo brasileiro se associa ao boliviano para implantar o pólo gasquímico binancional, gerando mais uma expectativa de consolidar a vocação industrial de Corumbá. “O crescimento do nosso PIB significa que o município tem maior movimentação econômica, que a cidade tem capilaridade para atrair novos investimentos”, avalia o prefeito da cidade, Ruiter Cunha de Oliveira.

Além da questão ambiental, que avançou no entendimento entre o segundo e o terceiro setores nos últimos anos, a região tem gargalos no setor de transportes. A ferrovia, que liga Santos (SP) a Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) está sucateada no trecho de Mato Grosso do Sul, e a Hidrovia do Rio Paraguai, que hoje escoa grande parte do minério in natura, necessita de investimentos em infraestrutura.

Os projetos em curso de exploração das reservas de Urucum estão concentrados, hoje, apenas na expansão de produção, saindo dos atuais 4 milhões de toneladas/ano para pelo menos 20 milhões de toneladas/ano em 2025.

A Vale, que praticamente monopolizou a extração mineral com a aquisição dos ativos da unidade local da anglo-australiana Rio Tinto, planeja investir R$ 2 bilhões para quadruplicar sua produção.

 

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