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Eterna saudade

13 ABR 10 - 20h:20
OSCAR ROCHA

Há cerca de um ano e meio, a família da estudante Valéria Nogueira, 36 anos, depois de alguns dias de férias, enfrentou situação pela qual muitas outras também passam: a morte do cachorro de estimação. “Suspeitamos que tinha sido envenenado por alguém que queria invadir a nossa casa. Quando chegamos, o Bonie (nome do pastor alemão, que há dez anos fazia parte da rotina da casa) estava mal”, conta Valéria. Levado ao veterinário, pouco pôde  ser feito. O cão morreu em poucos dias. A partir desse instante, um luto não oficial se instalou na casa de Valéria. Ela, o marido e os quatro filhos passaram por período de tristeza e saudade. “Quando a gente fica no lugar que ele gostava, no quintal, sempre bate certa tristeza”.

A situação enfrentada por Valéria e sua família é muito comum. Um cachorro vive, em média, caso não tenha nenhum problema de saúde, de quinze a vinte anos. Com tempo de vida tão curto, quando comparado ao do ser humano, e fazendo parte da rotina dos donos, é impossível não sentir a perda do animal. “O nosso preparo profissional é para fazer o melhor no cuidado com os animais, mas não somos preparados para atender a dor do dono no caso da morte do bichinho;  no entanto, ao longo da minha carreira, tenho encontrado situações de pessoas que não conseguem lidar com a morte do cachorro, por exemplo, e acabamos por indicar um profissional para acompanhá-las”, explica o médico veterinário Antônio Carlos Abreu, que há dezessete anos atua na área. Segundo ele, é muito comum a mudança da rotina por causa da perda do animal de estimação. “Entram num período crítico, que somente ajuda de fora pode resolver”.

Recuperação
O luto atinge, sem distinção, pessoas de todas as faixas etárias. Dentro da mesma casa, adultos e crianças, muitas vezes, enfrentam a situação de modo diferente. “A criança mostra muito mais o sentimento que o adulto”, aponta a psicóloga Marta Helena Ribas da Cruz Lemes. Se por um lado, a criança se mostra mais frágil para enfrentar a situação, por outro, em determinadas situações, é quem se recupera com mais rapidez. “Em poucos meses, uma criança pode ter outro animal, depois da perda do anterior. Com o adulto, isso não acontece tão facilmente”, aponta a psicóloga.
O motorista Reginaldo Pereira Gomes, 46 anos, lembra que, durante cerca de cinco anos, ficou sem cachorro em casa, isso depois de ter vários animais desde a infância. O motivo foi a morte do labrador Teco, após convivência de 6 anos. “Nos apegamos muito, tanto eu quanto meus filhos e esposa. Ele ficou doente e, rapidamente, morreu. Senti muita falta nos primeiros meses, foi um vazio muito grande em casa e decidi não ter mais cachorro. Pensei: ‘a gente se apega muito e depois perde’. Minha mulher falava para  termos outro, mas não queria. Somente em julho do ano passado é que pegamos um pitbull. Todos gostam muito dele, mas sou eu quem cuida mais”, enfatiza.
O estudante Carlos Aparecido da Silva, 16 anos, tinha, até agosto do ano passado, um dálmata. “Ele ficou com a gente durante cinco anos. Depois que morreu, fiquei alguns dias sem comer direito, senti muita falta, parecia que a casa estava vazia”, lembra.
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