quarta, 18 de julho de 2018

Etanol fica 15% mais caro nas usinas, mas postos não repassam

7 OUT 2010Por VERA HALFEN00h:53



Nos últimos dois meses (de 6 de agosto a 6 de outubro), o preço do etanol aumentou 15,7% nas usinas, passando de R$ 0,8411 para R$ 0,9733 (sem impostos). As distribuidoras já elevaram em 19,25% (de R$ 1,35 para R$ 1,61) aos postos revendedores, mas o preço ao consumidor ainda não teve reajuste e continua o mesmo, em média, de R$ 1,664. Os proprietários de postos dizem que estão “segurando” os valores, encolhendo a margem de lucro. Por outro lado, o setor sucroalcooleiro alega que as chuvas reduziram a produção, diminuindo a oferta às distribuidoras, pressionando o preço para cima.
O presidente do Sinpetro, Mário Shiraishi, frisa que os reajustes repassados pelas distribuidoras, nesses últimos dois meses, já elevou o preço médio do etanol de R$ 1,35 para R$ 1,61. “Amanhã (hoje) vou receber etanol. Já fui informado que o preço reajustou mais 3% ou 4%. Isso deixa o preço médio em torno de R$ 1,61”, explica. Shiraishi disse não saber “até quando o revendedor vai ‘segurar’ o preço, sem repassá-lo ao consumidor”.
Na região central da cidade, proprietários de postos alegam que ninguém quer ser o primeiro a elevar os preços. Um deles afirma que o etanol voltou a ter uma boa venda, porém, se o preço reajustar, as vendas recuam. Em relação a novos reajustes das distribuidoras, são unânimes: “é sempre uma surpresa”. “Só sabemos quando o caminhão chega no posto”, contam.

Chuva
O presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Roberto Hollanda Filho, acredita que o reajuste não seja repassado ao consumidor. Ele afirma que o aumento da cotação verificado nas usinas, é consequência das chuvas, que caíram com intensidade na região canavieira.
Em algumas lavouras, segundo Hollanda, além das chuvas fortes, ocorreu precipitação de granizo. As más condições climáticas impediram a entrada de caminhões nas lavouras, reduzindo o volume de cana-de-açúcar entregue às usinas. De acordo com ele, na segunda quinzena de setembro, foram moídas 2,5 milhões de toneladas de cana em Mato Grosso do Sul. Já a estimativa para os primeiros 15 dias de outubro, a moagem não deve ultrapassar 1,5 milhão de toneladas.

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