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Estudo da UFMS mapeia 10 anos de coqueluche em MS

2 ABR 2011Por 09h:45

Quinta doença evitada por vacina que mais mata crianças até cinco anos, a coqueluche acaba de ganhar um estudo, ainda inédito, sobre os casos ocorridos entre 1999 e 2008 no estado do Mato Grosso do Sul. Coordenada pela enfermeira Angelita Fernandes Druzian, a dissertação de mestrado para o  Programa de Pós-Graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)  aponta que neste período houve 238 casos, de acordo com o Sinan (Sistema Nacional de Agravos e Notificações).

Em seu trabalho “Aspectos Epidemiológicos da Coqueluche no Mato Grosso do Sul”, Angelita Druzian suspeita, no entanto, que os números do Sinan, o sistema responsável em registrar os casos, não representam a situação da popular “tosse comprida” no estado. Só entre 2003 e 2008, o Lacen – Laboratório Central de Saúde Pública do Mato Grosso do Sul teria recebido  371 amostras para exames laboratoriais, dos quais 132 foram desconsideradas pelo Sinam. “Isso mostra a fragilidade do sistema de informação”, diz a enfermeira.

O estudou constatou ainda que, a partir de 2003, a cobertura vacinal ficou abaixo de 80% – hoje o Ministério da Saúde preconiza uma cobertura superior a  90% da população suscetível. Nos anos seguintes, a coqueluche provocou dois surtos no Estado: 2004 (Nioque) e em 2007 (Naviraí). O primeiro gerou um crescimento de 376% do número de casos em relação ao ano anterior. No segundo, o aumento foi de 367%.

DE PAI PARA FILHO
No período estudado, foram notificados 561 casos suspeitos, dos quais 42,4% (238) foram confirmados. Os mais atingidos foram os menores de seis meses: 61,8% (147) dos casos. A maioria das crianças doentes (56,3%) apresentava o esquema de vacinação incompleto. Deste total,  31,5% não haviam recebido nenhuma vacina, 17% tinham recebido apenas duas doses e 5,9% haviam recebido três doses.
“A associação de maior ocorrência em crianças de baixa idade incompletamente vacinadas leva à reflexão de que os adultos são importantes fontes de contágio para os pequenos pacientes”, avalia Angelita Fernandes Druzian.
Citando outros pesquisadores, a autora afirma que adolescentes e adultos perdem com o passar do tempo a imunidade conferida pela vacina ou a própria doença. Entretanto, neste público, a “tosse comprida” não se manifesta em sua forma clássica – com acessos prolongados de tosse, guinchos e falta de ar -, confundido-se com outras doenças respiratórias. “A dificuldade de diagnóstico no adolescente e adulto, devido à apresentação clínica atípica, potencializa a disseminação da enfermidade e contribui para  o sub-registro”, diz a autora.

“É muito importante que os pais entendam esta situação e sejam vacinados para evitar a transmissão à criança que não completou seu esquema vacinal. Dessa forma, conseguiremos evitar a propagação desta doença, que muitos achavam que já nem existia mais”, afirma a médica Sheila Homsani, gerente médica da Sanofi Pasteur, a divisão de vacinas do grupo Sanofi-Aventis.


PROTEÇÃO COMPLETA
No Brasil, a Sanofi Pasteur  disponibiliza a única vacina combinada capaz de oferecer, com uma só dose, o segundo reforço adequado contra difteria, tétano, coqueluche e poliomielite para crianças de cinco a 13 anos. É a vacina internacionalmente conhecida como Tetraxim. 
Graças a uma sofisticada técnica de purificação, o componente contra coqueluche de sua formulação é acelular, ou seja, tem apenas os fragmentos da Bordetella pertussis, que estimulam a produção de anticorpos. Assim, alguns elementos geradores de reações adversas são descartados.
Desenvolvida com tecnologia de ponta, ela já vem pronta para uso – 100% líquida na seringa, o que facilita a administração. Por ser uma vacina combinada (contra mais de uma doença), simplifica o esquema de imunização e estimula os pais a seguirem corretamente o calendário determinado pelos médicos.

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