Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

CRIMINALIDADE

Estudante fica quatro dias em poder de sequestradores

24 NOV 2010Por Vânya Santos03h:05

Uma adolescente de 16 anos, filha de empresários de Campo Grande, foi sequestrada na última quinta-feira, na saída do Colégio Dom Bosco, onde estuda, e permaneceu quatro dias em cativeiro no Assentamento Centro-oeste, a cerca de 40 quilômetros da Capital. Os bandidos, que no início das negociações pediam R$ 200 mil pelo resgate, foram presos logo após receberem R$ 50 mil e libertarem a jovem. O caso foi encerrado no domingo, mas a Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) apresentou os autores para a imprensa ontem à tarde.

Os irmãos André Luiz, 30 anos, e Daniel Flávio Nogueira Vieira, de 29 anos, são acusados de sequestrar a adolescente, no início da tarde de quinta-feira (18), na saída do Colégio Dom Bosco, na Avenida Mato Grosso. Conforme o delegado do Garras, Ivan Barreira, no momento em que a mãe buscava a filha, um dos sequestradores entrou no veículo da família e obrigou a mulher a conduzir o carro por 22 quilômetros, na MS-080, saída para Rochedo. Enquanto isso, o comparsa, que estava num veículo Prisma, seguiu o carro das vítimas.

Mãe e filhas foram algemadas, sendo que a mulher foi abandonada na rodovia, juntamente com seu veículo. Já a estudante foi obrigada a entrar no Prisma dos irmãos. Segundo o delegado, a jovem foi levada para o Assentamento Centro-oeste, onde permaneceu na companhia de André Luiz. Já Daniel, ficava em Campo Grande, de onde ligava para a família. O delegado explicou que André era caminhoneiro, já havia prestado serviço para a empresa da família e conhecia a rotina da menor.

 

Negociação
A família procurou o Garras assim que a adolescente foi sequestrada e a polícia acompanhou todo processo de negociação, que durou cerca de quatro dias. No mesmo dia em que a menina foi sequestrada Daniel passou a ligar para a família pedindo R$ 200 mil para libertar a jovem. O contato entre família e bandido era feito à noite.

Ivan Barreira contou que o sequestrador aterrorizava a família dizendo que mataria a menina, mas em nenhum momento ela foi agredida, ameaçada ou privada de alimentação. Durante todo sequestro ela ficou trancada num dos quartos da casa transformada em cativeiro. O imóvel é de propriedade da família da esposa de André Luiz.

Resgate
No domingo, sequestradores aceitaram receber R$ 50 mil da família e conforme combinado entre as partes, à noite o dinheiro foi jogado próximo ao Bairro União. Em seguida, a jovem foi libertada na Avenida Brilhante. Desta vez, os criminosos estavam num veículo Uno. Horas depois o Garras conseguiu localizar os autores no Bairro Caiçara. Parte do dinheiro do resgate foi encontrado numa residência no Bairro Oliveira, enquanto o restante estava na casa de André, no Caiçara. No cativeiro a polícia encontrou óculos escuros, algemas e uma pistola plástica – semelhante a verdadeira – enterrados no quintal.

Questionados, os irmãos disseram que enfrentavam dificuldade financeira, que utilizariam o dinheiro para pagar empréstimo, prestações atrasadas e com o restante abririam um mercado. Eles podem ser condenados de 12 a 20 anos de prisão pelo crime de extorsão mediante sequestro. O último sequestro registrado na Capital ocorreu há pelo menos 11 anos.

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