segunda, 23 de julho de 2018

Estrabismo: problema em dobro

5 OUT 2010Por Thiago Andrade00h:00



Ter os olhos desalinhados (estrabismo) causa mais problemas do que se percebe em um primeiro momento. Para o ser humano, a condição de ter os olhos em paralelo permite a percepção de profundidade e tridimensionalidade e faz com que ambos os órgãos  se desenvolvam em igualdade. O estrabismo pode trazer sérios problemas sociais para quem vive com essa disfunção. O preconceito, percebido em apelidos desagradáveis como “vesgo”, “olho torto” ou o isolamento social podem acompanhar e marcar de forma negativa os indivíduos, principalmente por acontecerem durante a infância.
O estrabismo atinge cerca de 2,5% e 5% das crianças em idade pré-escolar e, se não tratado ainda durante a infância, pode trazer prejuízos sérios para a vida adulta como, por exemplo, a perda da qualidade de visão, que não pode ser corrigida mesmo com o uso de óculos. “O estrabismo pode ser congênito ou adquirido por inúmeros fatores, desde doenças, como a catarata, a traumas. Mas é durante a infância que os tratamentos precisam ser feitos, pois é o período em que as estruturas oculares estão se desenvolvendo”, aponta a médica oftalmopediatra Andréa Cristina Grubits.
Segundo ela, a disfunção causa duas condições bastante complexas e incômodas, sendo elas a falta de binocularidade, ou seja, as imagens não se fundem e cada olho exerga uma imagem diferente, e a falta de estereopsia, na qual a profundidade de campo natural que nossa visão produz é perdida. “Temos sucesso para resolver as questões de binocularidade por meio de tratamentos clínicos, como uso de óculos ou tampão, e cirúrgicos. Quanto à profundidade de campo, ainda não temos um método eficaz para resolvê-la”, descreve.
O médico oftalmologista José Eduardo Cançado, presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Oftalmologia (Asoft), explica que o assunto é complexo, pois o estrabismo é uma condição bastante peculiar. “Existem diversos tipos de estrabismos, por exemplo, os intermitentes, no qual os olhos ora estão desalinhados, ora não”, aponta. Embora para muitos a questão estética seja a principal, o oftalmologista esclarece que o problema maior é a perda de visão que um dos olhos pode sofrer.
“Para evitar a duplicidade de imagens, o cérebro cancela o recebimento de um dos olhos. Isso faz com que ele deixe de se desenvolver”, detalha. Para evitar esse problema, o uso do tampão ocular é indicado, fazendo com que o olho mais desenvolvido não seja usado, forçando o outro a se desenvolver. No entanto, o tratamento precisa ser feito durante a infância, já que durante esse período o corpo ainda não estancou. “Por isso, o diagnóstico precoce é mais que importante”, afirma.

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