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Estátua de João Paulo 2º cria polêmica e vira enquete em Roma

20 MAI 2011Por ANSA17h:11

A prefeitura de Roma pretende realizar uma enquete on-line em seu site para avaliar a opinião dos cidadãos da cidade sobre a estátua recém-inaugurada de João Paulo 2º, após a polêmica gerada sobre sua qualidade.

O prefeito Gianni Alemanno, que inaugurou a obra do escultor Oliviero Rainaldi ao lado do cardeal vigário de Roma, Agostino Vallini, na quarta-feira, afirmou em entrevista à Rádio Vaticana que, ouvirá "as opiniões das pessoas" sobre a obra "com muita calma".

"Se o julgamento das pessoas não for positivo, [se] não se identificarem com a estátua e não a sentirem representativa de João Paulo II, então talvez algumas mudanças poderão ser feitas", anunciou. Fontes internas da Prefeitura assinalaram que a hipótese de realizar a pesquisa ainda está indefinida.

A polêmica surgiu com um artigo do jornal vaticano "L'Osservatore Romano", que definia a estátua como uma obra que "peca de uma escassa reconhecibilidade". Hoje, em entrevista à Ansa, o diretor do periódico, Giovanni Maria Vian, atenuou a crítica, afirmando que a opinião é uma "contribuição ao debate sobre o plano cultural", e reconheceu a "importância da iniciativa da Prefeitura de Roma" com a inauguração.

Também se manifestou contra a estátua a Associação Nacional Papaboys, um grupo católico italiana de apoio ao Papa, que exprimiu "enorme perplexidade frente à inadequação da estátua dedicada ao beato Karol Wojtyla".

"Se a intenção era a de festejar o aniversário do beato João Paulo 2º com uma 'excelente ideia', em nossa opinião, isso não foi absolutamente alcançado. Ainda que a intenção do autor Oliviero Rainaldi não seja discutível, o resultado exposto em frente à estação 'João Paulo II' não merece nenhum tipo de apreciação", opinou a associação.

Para o grupo, "o rosto e a própria estátua" não fazem "justiça à lembrança que o mundo inteiro tem de Karol Wojtyla" e "não exprime o sentido de abraço de acolhimento que era suposto". "Seria melhor que o centro de Roma visse erguido um monumento comemorativo que representasse realmente o Santo Padre, não só pelo que ele representa para nós, mas pelo sentido que deixou no mundo inteiro", manifestou a associação.

A estátua foi posicionada na praça dos Quinhentos, em frente à Estação Termini, na região central da capital italiana. O prefeito explicou que o significado da estátua é de representar o "acolhimento" e "proteção" "no centro de Roma, nesta porta maravilhosa da cidade".

Frente às críticas, Alemanno explicou que a obra foi instalada apenas após a avaliação de "autoridades religiosas, que aprovaram o esboço da estátua", e da Superintendência de Bens Culturais de Roma. Segundo ele, a inauguração foi um trabalho "independente de decisões políticas" e "não custou um só euro" para o Campidoglio, uma vez que foi doada.

Por sua vez, o superintendente do setor, Umberto Broccolo, declarou que "a estátua de João Paulo 2º foi avaliada pelas autoridades vaticanas e pelo Ministério de Bens Culturais a partir de fotos" tiradas ao longo da realização obra e submetidas à avaliação técnica da superintendência e à avaliação artística das "hierarquias vaticanas".

Sobre as críticas, ele as comparou com polêmicas sobre outras obras históricas. "A obra de arte necessariamente cria debate, dialética. Sempre", acrescentou, recordando a disputa entre Michelangelo e o papa Júlio 2º, e do "escândalo" com a divulgação das pinturas de Caravaggio.

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