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Estado enfrenta maior seca dos últimos 5 anos

25 AGO 10 - 05h:45
DANIELLA ARRUDA

Há 88 dias sem chuvas, a região norte de Mato Grosso do Sul já enfrenta a mais longa estiagem dos últimos cinco anos, segundo informações do meteorologista da Anhanguera / Uniderp, Natálio Abrahão Filho. No ano passado, o período mais longo sem chuvas no Estado foi de 16 dias, enquanto em 2008 foram registrados dois períodos de estiagem, o primeiro com duração de 42 dias (entre junho e meados de julho) e depois mais 45 dias sem chuvas. Por enquanto, Campo Grande não chegou a esse patamar — a Capital completa hoje 40 dias sem chuvas.
A estiagem continuada é característica dos meses de inverno, explica o meteorologista. “Essa é uma época em que as massas de ar quente e seca ganham força na região central do País e a conse-quência é a falta de chuvas. No inverno, a pressão é alta, o que impede a formação de nuvens”, disse.
Mesmo havendo umidade na Bacia do Paraguai, devido à evaporação de grande volume de água, informou, não chove porque as massas de ar seco levam essa umidade para longe, por causa da alta pressão. “O ano passado foi atípico, porque não tivemos estiagem. Foram registradas chuvas em todos os meses e em agosto choveu 177,7 milímetros, quando a média histórica do mês é de 25,2 milímetros”, comentou.

Baixa umidade
A umidade relativa do ar continua atingindo níveis críticos no Estado. Nesta semana, conforme o meteorologista Natálio Abrahão, o índice mínimo chegou a 10% na região dos municípios de Coxim, Sonora, Pedro Gomes, Costa Rica e Ribas do Rio Pardo. Já em Campo Grande, a umidade relativa do ar caiu para 15% anteontem e deve ficar entre 14% e 16% nos próximos dias, inclusive durante o feriado do aniversário da Capital.
Ainda de acordo com  o meteorologista, há a possibilidade de que as chuvas esperadas para o início de setembro se antecipem. “Para o dia 29 de agosto, pode haver uma mudança nas regiões sul, sudeste e parte da região central, com aumento de nuvens e da umidade do ar”, disse.
Floradas
Caracterizado pelo tempo seco, poucas chuvas e temperaturas altas, o inverno em Mato Grosso do Sul também é a época da florada do ipê e de outras espécies do cerrado. Segundo o pesquisador da área de ecologia e recursos naturais da Embrapa Campo Grande, Rodiney Mauro, as plantas já são programadas geneticamente para dar uma resposta ao tempo seco. “O ipê e algumas árvores frutíferas perdem as folhas nessa época, como forma de defesa contra a perda de água. Na ponta dos galhos, surgem as gemas florais, que se desenvolvem para produzir sementes”, explicou.
As sementes são produzidas já no final da seca, sendo lançadas ao vento ou carregadas por pássaros, dependendo da espécie. Trata-se de uma sincronização que culmina com a germinação em outubro, quando voltam as chuvas, explica o pesquisador.
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