quarta, 18 de julho de 2018

AGRONEGÓCIO

Estado autoriza caça ao javali para evitar perdas ao produtor

29 OUT 2010Por Bruna Lucianer e Edivaldo Bitencourt02h:10

Com o objetivo de evitar prejuízos aos produtores rurais de 26 municípios e afastar o risco à exportação da carne suína por Mato Grosso do Sul, o Governo autorizou, por meio de resolução conjunta de três secretarias, o controle ambiental especial do javali. O setor produtivo está autorizado a promover a caça aos cerca de 50 mil animais selvagens, que estão destruindo as plantações de milho. Somente em Rio Brilhante, o prejuízo superou R$ 1,4 milhão.

 

Publicada no Diário Oficial do Estado de ontem, a resolução é assinada pelos secretários estaduais de Meio Ambiente (Semac), Carlos Alberto Said Menezes, de Produção (Seprotur) em exercício, Paulo Engel, e de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Wantuir Brasil Jacine. A principal justificativa são os prejuízos causados aos produtores rurais sul-mato-grossenses na região da Grande Dourados. De acordo com a resolução, a praga já está "repercutindo negativamente nas questões ambiental, econômica e no agronegócio".

 

 

A captura e sacríficio dos javalis é prevista na Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, e na Instrução Normativa do Ibama 141, de 2006.

 

Praga
Os javalis se tornaram praga após serem soltos de um cativeiro, que acabou desativado em Rio Brilhante. Os animais destruíram 5,7% de 70 mil hectares da plantação de milho, segundo o diretor do Sindicato Rural do municípo, Sidenei Tambosi. A partir do registro de ataques em outros municípios, o assunto foi tema de audiência pública realizada na Assembleia Legislativa pelo deputado estadual Paulo Corrêa (PR), que apresentou projeto de lei proibindo a criação dos animais.

As três secretarias autorizam o controle ambiental por tempo indeterminado nas áreas da Bacia Hidrográfica do Rio Ivinhema. O pedido de controle ambiental e sacrífico deverá ser encaminhado ao Instituto de Meio Ambiente (Imasul), à Polícia Militar Ambiental (PMA) e à Seprotur.

Segundo Luiz Augusto Benatti, diretor da Divisão de Proteção Ambiental do Ibama, todos os componentes do grupo de trabalho entendem o javali como uma espécie exótica invasora e visam ao controle da praga. "Após os estudos de dimensionamento do problema, também serão produzidas cartilhas de educação e orientação para os produtores rurais", explica.

Os animais ameaçam a exportação de carne suína, já que são transmissores da doença aujeszky (a pseudorraiva). Russos e europeus, os principais compradores, adotam medidas para impedir a entrada de suínos contaminados em seus territórios.

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