Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

imóveis

Especialista diz que medida da Caixa é precipitada, mas correta

18 FEV 2011Por vivianne nunes14h:55

Depois de anunciada a medida da Caixa Econômica Federal (CEF) que determina infraestrutura de asfalto e esgoto como necessários para a liberação de financiamentos de imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo Federal, o advogado especialista no ramo imobiliário, Marcel Chacha de Melo, argumenta que a decisão deveria ser tomada com antecedência já que construtores de médio e grande porte estão sendo pegos desprevenidos. “Mudaram a regra de uma hora para a outra”, afirmou. Apesar de considerada “precipitada”, a decisão é também, segundo ele, uma maneira correta de fazer com que as pessoas possam desfrutar de conforto em áreas de boa infraestrutura.

“O que ocorre é que as pessoas já fizeram investimentos e a regra, anteriormente, beneficiava as pessoas que faziam esse tipo de financiamento. Acho que a mudança é necessária, desde que haja prazo para que os construtores se adequem. Temos muitas construções em trâmite e a medida é boa, valoriza os imóveis”, afirmou.

Para o diretor da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), Luiz Afonso Assunpção, a decisão terá, logo de início, grande influência no comércio de materiais de construção do mercado local. Segundo ele, as grandes empresas compram direto da indústria enquanto que as pequenas empresas compram aqui. Este segmento [das pequenas construtoras] segundo ele, representa mais de 50% das construções locais. “Esse pessoal é significativo dentro do universo das construções. É o comércio formiguinha que representa mais de 50% das obras. Realmente vai haver uma redução”, afirmou.

Afonso lembra ainda das construções que são feitas por profissionais liberais do ramo de engenharia e dos próprios consumidores. “A decisão engloba os pequenos produtores e os consumidores, que vão financiar diretamente da Caixa”. Para ele é necessário que se analise os dois lados da medida. Se por um lado há a preocupação em dar mais qualidade de vida para o morador, há também uma moradia mais cara, distante da realidade financeira de algumas famílias. “Tem um pessoal que a qualidade de vida é uma casinha e eles não fazem questão de asfalto. Querem apenas uma casa melhor”, confluiu.
 

A exigência já entrou em vigor e pegou de surpresa os construtores de obras para bairros de periferia, onde a maioria das vias não possui asfalto e  nem contam com sistema de esgoto. A estimativa é de que 70% das casas da Capital estejam nessas condições.

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