Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

transporte coletivo

Espaço exclusivo para cegos não é respeitado

30 NOV 2010Por DANIELLA ARRUDA02h:20

Para quem tem deficiência visual, os desafios no sistema de transporte coletivo da Capital são de outro tipo — garantir o direito ao assento exclusivo na parte da frente do ônibus, uma situação que passou por avanços e recuos nos últimos tempos. Segundo o servidor público Edivaldo da Silva Ramos, de 39 anos, há cerca de dois anos as empresas começaram a retirar os bancos exclusivos dos ônibus; após reunião com entidades representantivas dos deficientes visuais, onde foi exposta a necessidade de manter o local para o usuário poder orientar-se e pedir informações ao motorista e cobrador do ônibus, a Assetur teria voltado atrás e passou a afixar próximo ao banco um adesivo trazendo os dizeres “exclusivo para deficiente visual desacompanhado”.

Porém neste ano houve nova mudança e os adesivos do banco exclusivo foram trocados por outro que estende o benefício para idosos e gestantes. “A gente entende que desfoca um pouco a intenção, além de ficar uma situação desagradável para quem precisa do banco. É ruim até para o usuário não deficiente, porque fica um acúmulo de pessoas ali na parte da frente”, comentou.

Contradições à parte, ele acredita que de um modo geral, a política de transporte público urbano tem se focado somente na aquisição de veículos adaptados para a frota e não na construção de uma cidade com desenho universal, como estabelece a legislação. Isso se traduziria, por exemplo, em ônibus sem degraus, terminais dotados de plataforma elevada e até mesmo na padronização das calçadas às normas de acessibilidade. “Não adianta ter cadeira exclusiva se na hora de descer do ônibus o deficiente encontra uma calçada esburacada”, ressaltou. (DA)

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